Trump abandona exigência de abertura do Estreito de Ormuz e comemora controle total

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, voltou a pressionar a Europa nesta semana para que participe ativamente da reabertura do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Em coletiva no Pentágono, Hegseth afirmou: “Não deve ser apenas a luta dos Estados Unidos. Nós mal utilizamos essa passagem... Os europeus precisam muito mais do Estreito de Ormuz do que nós. Talvez seja hora de parar de fazer discursos e conferências na Europa e, em vez disso, colocar a mão na massa.”

Esta não é a primeira vez que a administração Trump cobra maior envolvimento europeu na região. No entanto, a postura do governo americano tem se mostrado cada vez mais contraditória.

Da ameaça à aceitação: Trump muda de posição em questão de semanas

Em 21 de março, o presidente Donald Trump anunciou que os EUA “atingiriam e destruiriam” as usinas de energia do Irã caso o Estreito de Ormuz não fosse “totalmente reaberto” em 48 horas. A passagem, entretanto, não foi reaberta no prazo estipulado — nem nas duas semanas seguintes.

Em 5 de abril, frustrado, Trump declarou que 7 de abril seria o “Dia da Usina e da Ponte”, uma suposta demonstração de força contra o Irã. Em suas próprias palavras: “Será incrível! Abram logo essa merda de estreito, seus filhos da puta, ou vocês vão viver no inferno. Só observem!”

O Irã não cedeu à pressão. E, mais de duas semanas depois, o Estreito de Ormuz continua fechado para a maioria dos navios. No entanto, Trump agora comemora a situação. Em uma reviravolta surpreendente, o presidente passou de ameaças agressivas a um tom quase indiferente.

Em publicação recente, Trump afirmou: “O Irã está tendo muita dificuldade para descobrir quem é o líder deles! Eles não sabem! A briga entre os ‘linha-dura’, que estão perdendo feio no campo de batalha, e os ‘moderados’, que não são tão moderados assim (mas estão ganhando respeito!), é loucura!”

E completou: “Nós temos controle total sobre o Estreito de Ormuz. Nenhum navio pode entrar ou sair sem a aprovação da Marinha dos EUA. Está ‘fechado com chave de ouro’ até que o Irã faça um ACORDO!!! Obrigado por sua atenção a este assunto.”

Contradições e estratégias duvidosas

A mudança repentina de postura levanta dúvidas sobre a consistência — e a eficácia — da política externa de Trump. Em 1841, o filósofo Ralph Waldo Emerson escreveu: “Uma consistência tola é o espantalho de mentes pequenas, adorado por estadistas e filósofos medíocres.” A frase parece se encaixar perfeitamente no atual governo americano.

Defensores de Trump argumentam que o presidente estaria jogando um “xadrez internacional de 19 dimensões”, uma estratégia complexa que só mentes superiores conseguiriam compreender. No entanto, críticos apontam que a falta de coerência revela improvisação e incapacidade de impor suas ameaças.

O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, segue como um ponto crítico de tensão geopolítica. Enquanto Trump alterna entre exigências e aceitação do fechamento, a região permanece em estado de alerta.

Para especialistas, a postura americana não só falha em resolver a crise, como pode agravar a instabilidade na região.

Europa é cobrada, mas evita envolvimento direto

Enquanto os EUA insistem na participação europeia, países do bloco têm demonstrado relutância em se envolver militarmente. Hegseth, em tom provocativo, sugeriu que os europeus “deixem de lado os discursos e as conferências” e ajam de forma concreta.

No entanto, a União Europeia tem mantido uma posição cautelosa, priorizando diálogos diplomáticos em vez de ações militares. A região, que depende fortemente do petróleo transportado pelo estreito, enfrenta um dilema: como garantir a segurança das rotas sem se envolver em conflitos diretos?

A situação permanece em aberto, com o Estreito de Ormuz fechado e a estratégia americana cada vez mais difícil de decifrar.