O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DoD) estuda formas de punir membros da OTAN que não apoiaram a ofensiva militar do então presidente Donald Trump contra o Irã. Segundo a Reuters, com base em informações de um funcionário não identificado do governo norte-americano, o governo federal considera suspender a Espanha da aliança militar e reavaliar a soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas (Falklands).

O documento interno, que circula em altos escalões do Pentágono, classifica o acesso a bases e espaço aéreo de aliados como "requisito mínimo absoluto" para a participação na OTAN. A proposta, no entanto, enfrenta forte oposição, inclusive de aliados da aliança. Um representante da OTAN afirmou à agência de notícias que "o tratado fundacional da organização não prevê a suspensão de membros".

Ao ser questionado sobre o teor do e-mail, o porta-voz do Pentágono, Kingsley Wilson, declarou:

"Como o presidente Trump afirmou, apesar de tudo o que os Estados Unidos fizeram por nossos aliados da OTAN, eles não estiveram ao nosso lado."
Wilson acrescentou:
"O Departamento de Guerra garantirá que o presidente tenha opções críveis para assegurar que nossos aliados deixem de ser 'tigres de papel' e, de fato, cumpram com suas obrigações. Não temos mais comentários sobre deliberações internas a esse respeito."

Críticas de Trump à OTAN não são novidade

Antes mesmo do conflito com o Irã, Trump já havia ameaçado abandonar a aliança por motivos como a recusa de países em ceder a Groenlândia aos EUA ou em reabrir o Estreito de Ormuz. Em 1º de abril, ele declarou à Reuters que estava "absolutamente, sem dúvida" considerando deixar a OTAN.

No entanto, tal decisão exigiria aprovação do Congresso, o que poderia ser contornado apenas com o uso de autoridade presidencial em política externa — medida que enfrentaria desafios legais. Além disso, ações punitivas contra aliados gerariam repercussões tanto no cenário doméstico quanto internacional. Trump, conhecido por desrespeitar alianças históricas, já demonstrou que, ao se sentir desprestigiado, não hesita em romper com parceiros estratégicos.