O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Robert F. Kennedy Jr., tem sofrido uma sequência de derrotas políticas públicas nos últimos meses, o que poderia abalar figuras menos determinadas. O ativista anti-vacina foi obrigado a recuar em maio, quando o presidente Donald Trump nomeou uma candidata convencional e favorável às vacinas para liderar os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Poucas semanas depois, Trump retirou a indicação de Casey Means — também integrante do movimento anti-vacina MAHA (Make America Healthy Again) — para o cargo de cirurgiã-geral dos EUA. Como se não bastasse, o presidente escolheu uma substituta que apoia a vacinação e, em pelo menos duas ocasiões, criticou publicamente Kennedy por tentar flexibilizar os requisitos de imunização infantil. Mesmo assim, Kennedy elogiou a escolha, afirmando que esperava “trabalhar em parceria com ela”.

Essas derrotas se somam a outros reveses, como a ordem executiva de Trump que reforçou a produção de glifosato, um herbicida controverso que Kennedy havia combatido por anos, classificando-o como carcinogênico. A decisão deixou os seguidores do MAHA furiosos, mas Kennedy evitou apoiá-los, classificando a medida como uma “concessão necessária, embora infeliz”, aos agricultores que dependem do produto.

Fontes próximas a Trump já haviam alertado, desde o ano passado, que o discurso anti-vacina de Kennedy estava afastando eleitores. Os assessores pediram que ele focasse em sua bandeira de alimentação saudável, mais popular. Além disso, a Casa Branca reforçou o controle sobre o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), promovendo Chris Klomp — um aliado de confiança — ao cargo de conselheiro-chefe do departamento. A chegada de Klomp coincidiu com a saída de figuras públicas céticas em relação às vacinas, como um médico da Louisiana que ocupava o cargo de vice-diretor do CDC e chegou a afirmar que a possível perda do status de eliminação do sarampo nos EUA era o “preço a pagar” pela política de saúde.

Na última terça-feira (11), o comissário da Food and Drug Administration (FDA), Marty Makary, renunciou ao cargo. Makary, que apoiava algumas pautas de Kennedy, tornou-se alvo de controvérsias, incluindo a gestão da pandemia. Em Washington — especialmente na administração Trump —, humilhações públicas costumam preceder a saída de membros do governo, voluntária ou não. Kennedy ainda permanece no HHS, mas sua posição parece cada vez mais frágil.

Apesar das divergências políticas, Trump e Kennedy compartilham críticas semelhantes à ciência e às elites, o que pode explicar a permanência do secretário no cargo. Dois episódios recentes reforçam essa aliança improvável:

O presidente e Kennedy unem forças em sua rejeição à ciência institucional e às elites, alinhando-se ao movimento MAGA e ao MAHA.