Casar-se nos Estados Unidos nunca foi tão caro. O que antes era uma celebração comunitária e modesta, com flores do quintal e vestidos brancos simples, evoluiu para um espetáculo de consumo, onde o orçamento médio ultrapassa US$ 30 mil — e em alguns casos, chega a mais de US$ 100 mil.

Segundo a historiadora Karen Dunak, professora da Universidade Muskingum e autora do livro As Long as We Both Shall Love: The White Wedding in Postwar America, a transformação começou após a Segunda Guerra Mundial. “Havia uma tendência de gastar mais, exibir prosperidade e fazer parte de uma América associada ao consumo e à abundância”, explica Dunak. “O casamento se tornou um palco para essa demonstração.”

Do quintal ao Vogue: a evolução do casamento

Antes dos anos 1920, os casamentos eram eventos locais, muitas vezes realizados em casa ou na igreja da comunidade. Os vestidos brancos só ganharam popularidade na década de 1920, mas foi após 1945 que o modelo atual começou a se consolidar.

Hoje, a ostentação é onipresente. Prova disso são as edições especiais de casamentos da Vogue, que apresentam de 40 a 80 fotos de cada evento, acompanhadas de relatos sobre o processo de planejamento, a história de amor do casal e os detalhes emocionais do dia. “São matérias que mostram não apenas o resultado, mas toda a jornada”, diz Shelby Wax, editora de casamentos da Vogue.

Quanto custa um casamento hoje?

Os números são impressionantes. Segundo dados recentes, o custo médio de um casamento nos EUA gira em torno de US$ 30 mil para 100 convidados. Em cidades como Nova York ou Los Angeles, esse valor pode dobrar facilmente. Mas será que o preço define a qualidade?

Wax, que já cobriu centenas de casamentos, tem uma visão clara: “Os casamentos que mais gosto de destacar não são os mais caros, mas aqueles onde o dinheiro foi usado com intenção. Recentemente, publiquei um casamento que custou menos de US$ 50 mil: um casal que se casou na Prefeitura de Nova York e almoçou com a família em seguida. Foi simples, emocionante e perfeito.”

Para ela, o que importa é a autenticidade. “Quando olho para as fotos, penso: ‘Eu gostaria de ser convidada?’. Se a resposta for sim, então o casamento cumpriu seu propósito.”

O que vale a pena investir?

Em meio ao frenesi de orçamentos milionários, especialistas destacam que alguns elementos realmente agregam valor:

  • Experiências para os convidados: Jantares temáticos, música ao vivo ou atividades interativas criam memórias duradouras.
  • Localização e decoração: Um espaço com boa iluminação natural ou uma decoração minimalista e elegante pode fazer a diferença sem estourar o orçamento.
  • Comida e bebida de qualidade: Um cardápio bem planejado, com opções regionais ou sazonais, é mais memorável do que quantidades excessivas.
  • Detalhes pessoais: Cartas manuscritas, fotos antigas ou pequenas lembranças que contem a história do casal tornam o evento único.

Por outro lado, gastos excessivos em itens como convites personalizados, buquês extravagantes ou fotografias superproduzidas nem sempre justificam o custo. “Às vezes, o dinheiro é jogado fora em coisas que não fazem diferença no final”, observa Wax.

O futuro dos casamentos: menos ostentação, mais significado?

Com o aumento dos custos e a busca por experiências mais autênticas, uma tendência começa a ganhar força: casamentos menores, mais íntimos e com foco em conexão. Muitos casais optam por cerimônias ao ar livre, viagens com os convidados ou até mesmo celebrações em dois dias — um civil e outro festivo.

“As pessoas estão percebendo que o casamento não precisa ser um evento de US$ 100 mil para ser especial”, diz Dunak. “O que realmente importa é celebrar o amor de uma forma que faça sentido para o casal.”

Fonte: Vox