A Suprema Corte dos Estados Unidos está envolvida em um caso que pode redefinir o acesso à pílula abortiva mifepristona nos EUA. Tudo começou no final do ano passado, quando o estado da Louisiana processou a Food and Drug Administration (FDA), pedindo a proibição do uso do medicamento por telemedicina e envio pelo correio.

Em 1º de maio, o Tribunal de Apelações do Quinto Circuito dos EUA deu razão à Louisiana, bloqueando temporariamente o acesso nacional à pílula abortiva por telemedicina e remessa postal. No entanto, a Suprema Corte, em uma decisão provisória, restaurou o acesso ao medicamento enquanto analisa o mérito do caso.

Nesta semana, a Corte manteve a suspensão da decisão do Quinto Circuito até pelo menos quinta-feira, às 17h, enquanto avalia o caso. Para esclarecer os detalhes e as implicações dessa decisão, Alice Miranda Ollstein, repórter especializada em saúde da Politico, explicou ao podcast Today, Explained os principais pontos da controvérsia.

O que está em jogo?

A Louisiana argumenta que o acesso à mifepristona por telemedicina e correio prejudica seu estado, pois pacientes estariam contornando a legislação local que proíbe o aborto. Segundo o governo estadual, cada dia em que a pílula é enviada por correio representa uma violação à soberania do estado, configurando o que chamam de “injúria soberana”.

As fabricantes do medicamento, no entanto, contestam essa alegação. Elas afirmam que a política de acesso à pílula já está em vigor há anos e não há emergência que justifique sua proibição imediata. Além disso, argumentam que não se pode banir um medicamento para todos com base em como algumas pessoas o utilizam.

Posição da Suprema Corte ainda é incerta

Analisar a posição da Suprema Corte antes de uma decisão final é sempre um desafio. Até o momento, não houve audiências orais no caso, o que torna ainda mais difícil prever como os juízes irão se posicionar. A incerteza sobre o desfecho mantém em suspenso o futuro do acesso à mifepristona nos EUA.

"Não há como saber com certeza onde a Suprema Corte está em relação às pílulas abortivas neste momento. As especulações com base em perguntas feitas durante audiências são sempre arriscadas, e ainda não chegamos a esse ponto."

Enquanto a Corte não decide, o acesso ao medicamento permanece temporariamente garantido, mas a situação pode mudar até o final da semana.

Fonte: Vox