Oregon implementou recentemente um imposto de 65 centavos sobre cada lata de Zyn e Rogue, marcas de sachês de nicotina, com o objetivo de arrecadar fundos para reduzir incêndios florestais. A medida surpreendeu os consumidores, mas reflete uma realidade preocupante: em 2024, o estado registrou mais de 1,9 milhão de acres queimados, com gastos superiores a US$ 350 milhões — muito acima dos US$ 10 milhões inicialmente previstos.

“Até 21 de julho, já havia esgotado todo o caixa disponível”, declarou Kyle Williams, diretor adjunto de operações de combate a incêndios do Departamento Florestal de Oregon. A falta de recursos levou ao atraso no pagamento de prestadores de serviços, como empresas que abriram faixas de contenção e forneceram refeições. O estado precisou convocar uma sessão legislativa emergencial para realocar verbas.

A situação evidencia as fragilidades no financiamento não apenas do combate a incêndios, mas também das ações preventivas que reduzem o risco de grandes queimadas. Especialistas alertam que, com a seca e a redução da neve no Oeste americano, a próxima temporada de incêndios pode ser ainda mais crítica.

Idaho também enfrenta escassez de recursos

O Departamento de Terras de Idaho reservou cerca de US$ 38 milhões para este ano, mas Dustin Miller, diretor do órgão, estima que o valor pode não ser suficiente. “Estamos um pouco preocupados, pois não tenho certeza se teremos recursos para cobrir uma temporada longa e intensa”, afirmou. “As condições são muito preocupantes.”

Sistemas de financiamento defasados

Estados do Oeste americano lutam contra sistemas de financiamento ultrapassados diante do crescimento exponencial dos custos com incêndios. “Todos os estados estão lidando com isso”, disse Williams. “Não culpo ninguém por não ter a solução perfeita.” No entanto, a mudança está chegando — e a um preço alto. Dos dez incêndios mais caros da história dos EUA, nove ocorreram desde 2017.

Por que os custos estão subindo?

Vários fatores contribuem para o aumento dos gastos:

  • Vegetação acumulada: Um século de supressão de incêndios resultou em uma paisagem mais inflamável, pronta para queimar.
  • Mudanças climáticas: O aumento das temperaturas e a seca prolongada criam condições ideais para a propagação de incêndios.
  • Expansão urbana: Mais residências são construídas em áreas propensas a incêndios, exigindo intervenções caras, como o lançamento de retardantes químicos e água de aeronaves.

Além disso, os custos de supressão representam apenas 9% do gasto total com incêndios, de acordo com um relatório de 2018 da Headwaters Economics. Reconstruir infraestrutura danificada e reabilitar ecossistemas também oneram os cofres públicos.

Complexidade logística e financeira

O combate a incêndios no Oeste dos EUA é um processo intrincado, tanto financeiramente quanto logisticamente, devido à diversidade de proprietários de terras na região. A colaboração entre agências federais, estaduais e locais é essencial, mas os recursos nem sempre acompanham a demanda.

Fonte: Vox