Crise energética nos EUA: Congresso mira escritório extinto para reduzir impactos
Desde fevereiro, a guerra não declarada no Irã, promovida pela administração Trump, resultou em um acréscimo de aproximadamente US$ 20 bilhões nos gastos dos consumidores americanos com gasolina. Com a chegada do verão, os preços tendem a subir ainda mais, pressionando ainda mais o bolso dos cidadãos.
Nesta semana, a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados deve votar o projeto de lei bipartidário DOMINANCE Act. A proposta visa reduzir a dependência dos EUA em relação à China no setor de minerais críticos e fortalecer a cadeia de suprimentos de infraestrutura energética americana por meio de iniciativas diplomáticas e novos programas.
Um dos principais pontos do projeto é a recriação do Bureau for Energy Security and Diplomacy no Departamento de Estado, que seria semelhante ao extinto Bureau of Energy Resources. Segundo relatos da E&E News, esse escritório foi fechado em 2023 pela DOGE (Departamento de Eficiência Governamental), mas já atuava na supervisão das exportações de energia americanas e na mediação de acordos entre empresas privadas e mercados emergentes.
Pressão política para reabrir o escritório
Além do DOMINANCE Act, um grupo de parlamentares democratas enviou, em abril, uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, pedindo a reabertura do Bureau of Energy Resources e a contratação de seus funcionários novamente. "Precisamos de especialistas em energia para minimizar os danos dessa guerra mal planejada e ajudar a gerenciar seus impactos na cadeia global de suprimentos", afirmaram os legisladores.
Eles também destacaram que, sem o escritório, "os EUA continuarão a agir de forma desastrada em discussões geopolíticas sobre energia, especialmente com a evolução da situação no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz". A reabertura do bureau, segundo os parlamentares, seria a melhor estratégia para mitigar danos e evitar novos choques no mercado causados pela falta de planejamento.
Críticas ao uso de recursos públicos
Embora a guerra no Irã esteja claramente afetando os preços globais de energia, especialistas questionam se a recriação de um escritório federal — com histórico de gastos milionários — é a solução mais eficiente. Além dos mais de US$ 40 milhões já destinados a projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa nos EUA (que já recebiam subsídios de outras áreas do governo federal), o bureau também financiava iniciativas de descarbonização no Cazaquistão, desenvolvimento de energia limpa no Caribe e programas de empoderamento feminino na América Latina.
Dados da Energy Information Administration mostram que a produção energética dos EUA atingiu recorde no ano passado, mesmo após o fechamento do escritório. Além disso, não há evidências de que a ausência do bureau tenha impactado diretamente a geopolítica ou a produção energética americana.
O que diziam os funcionários demitidos?
Semanas após o início da guerra no Irã, a NOTUS publicou relatos de ex-funcionários do Bureau of Energy Resources, que alegavam que a extinção do escritório deixou a administração despreparada para lidar com as consequências da guerra nos preços globais de energia. No entanto, críticos argumentam que essa justificativa pressupõe que o presidente Donald Trump buscaria consultar especialistas antes de tomar decisões — algo que não condiz com seu histórico, especialmente após ignorar análises econômicas em outras políticas implementadas.
A discussão sobre a reabertura do escritório divide opiniões: enquanto alguns defendem a necessidade de expertise em energia para lidar com crises geopolíticas, outros questionam a eficiência de aumentar a burocracia federal em um momento de alta inflação e instabilidade econômica.