O erro estratégico das empresas americanas

Há alguns anos, conversei com o CEO de uma empresa da lista Fortune 500 que reclamava: ‘Não conseguimos encontrar pessoas capazes de resolver problemas.’ Quando perguntei onde ele acreditava que o problema começava, a resposta foi: ‘Acho que na faculdade.’ Essa resposta revelou uma verdade dolorosa: ele estava olhando no lugar errado.

O problema não começa na faculdade. Começa na pré-escola.

O custo da negligência educacional

Empresas americanas investem pesadamente em recrutamento, retenção e treinamento de funcionários. Em 2025, os gastos com capacitação ultrapassaram US$ 102,8 bilhões, mas grande parte desse investimento é reativa — uma tentativa de consertar falhas que já existem.

Enquanto isso, a escassez global de habilidades pode custar às empresas US$ 5,5 trilhões em receita anual perdida. A conclusão é inevitável: enquanto as empresas brigam por um pool limitado de talentos, quase não fazem nada para ampliá-lo.

Trabalhadores que participam de programas estruturados de upskilling ganham mais anualmente, e o autofinanciamento desses programas pode aumentar ainda mais seus rendimentos. Agora, imagine o retorno se esse tipo de desenvolvimento começasse anos antes, antes mesmo de os estudantes ingressarem no mercado de trabalho.

A educação como infraestrutura, não como caridade

As empresas tratam a educação como um ato de filantropia, não como uma infraestrutura essencial. Elas patrocinam programas, eventos e doações sob o banner do impacto social, enquanto os sistemas que realmente moldam talentos permanecem subdesenvolvidos.

O problema está a montante

O World Economic Forum alerta que 40% dos trabalhadores precisarão de requalificação em até seis meses, e 94% dos líderes empresariais esperam que os funcionários aprendam novas habilidades no trabalho. A realidade é clara: estamos tentando consertar uma força de trabalho que deveria ter sido desenvolvida de forma mais intencional desde o início.

A educação não é separada do desenvolvimento da força de trabalho — ela é a base desse desenvolvimento. E, atualmente, estamos subinvestindo sistematicamente nas únicas pessoas capazes de construir esse pipeline em escala: os 3,2 milhões de professores do ensino fundamental e médio nos EUA.

Eles são o maior sistema de desenvolvimento de talentos do país. Só que não são tratados como tal.

Onde o sistema funciona

Trabalhando com indústrias de tecnologia e educação há 20 anos, visitei comunidades muitas vezes ignoradas pelas corporações, como regiões rurais de Appalachia, distritos urbanos de alta pobreza e nações indígenas. Lugares onde, segundo o senso comum, ‘não há talento’.

Na realidade, o talento está em todo lugar. O que falta é a infraestrutura para desenvolvê-lo.

Em Granby, no Colorado, educadores trabalharam com estudantes para criar clubes, eletivas e equipes de mentoria com base no que os alunos realmente queriam. Em uma única turma, todos os estudantes estavam engajados em pelo menos um programa.

Esse tipo de agência — sentir-se ouvido, pertencente e com participação ativa na própria educação — é a base da preparação para o mercado de trabalho. Você não pode treinar confiança em um jovem de 22 anos que nunca a teve aos 13.

Os estudantes não se tornaram mais capazes de repente. O sistema se tornou mais conectado.

Isso prova que o talento não está faltando. O que está faltando são os pontos de conexão.

E esses pontos de conexão são os professores que ouvem, que constroem sistemas ao redor das necessidades reais dos alunos — integrando, sempre que possível, o setor produtivo.

O que precisa mudar

  • Reconhecer que a educação é infraestrutura: Empresas devem tratar o investimento em educação não como caridade, mas como uma estratégia de longo prazo para garantir talentos futuros.
  • Capacitar professores: Os educadores são os principais agentes de desenvolvimento de talentos e precisam de mais recursos, treinamento e apoio.
  • Iniciar cedo: Programas de desenvolvimento de habilidades devem começar na infância, não apenas na faculdade ou no início da carreira.
  • Criar parcerias: Empresas, escolas e comunidades devem trabalhar juntas para identificar e nutrir talentos onde quer que eles estejam.