O cinema de ação vive de uma premissa simples: se um personagem é bom no que faz, o público tende a gostar dele. Essa teoria, conhecida como "pornografia de competência", sustenta muitos sucessos do gênero. No entanto, 'In the Grey' prova que, quando a habilidade se torna excessiva a ponto de anular qualquer tensão, o resultado é uma experiência entediante.

A direção de Guy Ritchie, antes sinônimo de cenas de ação inovadoras em filmes como Lock, Stock and Two Smoking Barrels e Snatch, agora parece presa a uma fórmula desgastada. Seu novo trabalho, 'In the Grey', é um exercício de competência fria, onde cada plano é calculado, cada tiro é preciso, e cada personagem age como se estivesse em um videogame de dificuldade fácil.

O elenco, que inclui Jake Gyllenhaal como Bronco e Henry Cavill como Sid, é desperdiçado em papéis de anti-heróis sem profundidade. Eiza González, como Rachel Wild, tenta dar vida a uma personagem que oscila entre a frieza de uma agiota e a vulnerabilidade em situações de perigo, mas o roteiro não oferece espaço para desenvolvimento. A narrativa se resume a uma trama de vingança contra um homem que deve um bilhão de dólares, resolvida com perseguições intermináveis e armadilhas mal explicadas.

O primeiro terço do filme é dedicado a diálogos secos e cenas de planejamento, enquanto os dois terços finais se resumem a uma perseguição prolongada, repleta de armadilhas pré-estabelecidas que, misteriosamente, permanecem intactas por três meses. A falta de lógica ou tensão torna a experiência cansativa, mesmo com a fotografia impecável e os cenários exuberantes.

O grande problema de 'In the Grey' é que ele não oferece nada além de sua própria polidez. Os personagens são tão competentes que nada os desafia, e suas ações não têm consequências significativas para o mundo ao redor. Não há motivo para torcer por eles, nem para se importar com o desfecho. É um filme sobre nada, feito para ser assistido, mas não para ser lembrado.

"A audiência pode gostar de personagens bons no que fazem, mas quando essa habilidade anula qualquer tensão ou propósito, o resultado é apenas tédio."
Fonte: The Wrap