Moradores da Costa Leste dos Estados Unidos enfrentam os maiores aumentos nas tarifas de eletricidade do país. Em resposta, alguns políticos democratas estão propondo cortes em programas de eficiência energética, argumentando que a redução de custos para as concessionárias poderia trazer alívio imediato aos consumidores.
Porém, especialistas alertam que a medida vai na contramão do objetivo principal desses programas: reduzir o consumo de energia e, consequentemente, as contas dos cidadãos.
"A solução mais barata e rápida para atender à crescente demanda energética é justamente a eficiência energética", afirmou Mark Kresowik, diretor sênior de políticas do American Council for an Energy-Efficient Economy (ACEEE).
Esse movimento entre democratas contrasta com a postura histórica dos políticos norte-americanos em crises energéticas. Em 1973, durante o embargo de petróleo árabe contra os EUA, o presidente Richard Nixon implementou medidas para reduzir o consumo, como limites de velocidade nas estradas e incentivos para baixar os termostatos no inverno. Nas décadas seguintes, um esforço bipartidário levou à criação de padrões de eficiência em eletrodomésticos e veículos, gerando economias bilionárias para os americanos.
Segundo dados do Departamento de Energia dos EUA, os padrões de eficiência implementados antes de 2017 ainda poupam cerca de US$ 576 por ano para cada residência, além de reduzir o consumo nacional de energia em 6,5%. Essas medidas também evitaram a emissão de 14 bilhões de toneladas de CO₂ e economizaram cerca de US$ 5 trilhões em combustível para veículos ao longo de décadas.
Mudança de rumo em tempos de crise
Hoje, diante de uma nova crise energética — novamente impulsionada por conflitos no Oriente Médio — muitos políticos estão adotando uma abordagem oposta. Enquanto a administração Trump e republicanos no Congresso enfraqueceram padrões de eficiência veicular e de eletrodomésticos, alguns democratas também estão recuando em seu apoio tradicional a esses programas.
O governador democrata de Maryland, Wes Moore, deve assinar uma lei que reduz as metas de redução de emissões do estado. A medida diminuirá os investimentos obrigatórios das concessionárias em programas de eficiência energética e eliminará uma taxa adicional nas contas dos consumidores.
Com o aumento do consumo de energia por data centers, eventos climáticos extremos e uma rede elétrica envelhecida, a eficiência energética surge como uma das ferramentas mais eficazes para conter os preços e proteger os cidadãos das flutuações do mercado.