Democratas se mobilizam para impeachment imediato de Trump em 2027
Um grupo de deputados democratas, alinhados à ala mais progressista do partido, está pressionando a liderança para iniciar, desde já, os preparativos para um possível processo de impeachment contra o ex-presidente Donald Trump. A estratégia visa viabilizar uma votação no primeiro dia de mandato da nova legislatura, caso os democratas recuperem a maioria na Câmara dos Representantes nas eleições de 2026.
A iniciativa reflete a crescente disposição do partido em adotar medidas mais radicais contra Trump, após anos de hesitação. Rep. Delia Ramirez (D-Ill.), uma das principais defensoras da proposta, afirmou à Axios que a estratégia deve ser "concreta e coordenada", com "auditorias, checagem de fatos e audiências preparatórias" já em andamento.
"Precisamos construir o caso agora para que, em janeiro de 2027, tenhamos todas as condições necessárias para o impeachment", declarou Ramirez. Segundo ela, o partido não pode esperar até assumir o controle da Câmara para começar o trabalho.
Pressão interna e apoio popular
O movimento ganha força dentro do partido, mesmo entre aqueles que, até recentemente, resistiam à ideia. Rep. Yassamin Ansari (D-Ariz.) afirmou que, se os democratas recuperarem a Câmara, "a pressão pelo impeachment será esmagadora".
Dados de uma pesquisa Strength In Numbers/Verasight, divulgada na terça-feira (13), revelam que 55% dos americanos adultos apoiam a abertura de um processo de impeachment contra Trump, enquanto 37% são contrários. Segundo o analista G. Elliott Morris, autor do estudo, esses números se aproximam dos índices de aprovação ao impeachment de Richard Nixon durante o escândalo Watergate, em 1974.
Morris destacou que, após a ameaça de Trump de "destruir a civilização" do Irã, mais de 85 deputados e senadores democratas já haviam se manifestado publicamente a favor do impeachment ou da aplicação da 25ª Emenda da Constituição.
Evolução do posicionamento democrata
Em 2024, muitos democratas evitavam até mesmo mencionar a palavra "impeachment". Rep. Shri Thanedar (D-Mich.), que foi o primeiro a apresentar artigos de impeachment contra Trump no ano passado, relatou ter sido ridicularizado na época.
Em junho de 2023, quando Rep. Al Green (D-Texas) propôs uma votação para impeachment, apenas 78 democratas apoiaram a medida, enquanto 128 votaram contra. Em dezembro do mesmo ano, no entanto, o número de apoiadores subiu para 140, com outros 47 votando "presente", incluindo o líder da minoria, Hakeem Jeffries (D-N.Y.).
Em janeiro de 2025, Rep. Robin Kelly (D-Ill.) apresentou artigos de impeachment contra a então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, após o tiroteio que vitimou Renée Good. Desta vez, 187 deputados democratas co-patrocinaram a proposta.
Lições dos republicanos
Ramirez citou como exemplo o movimento republicano, que começou a discutir o impeachment do ex-secretário de Segurança Interna, Alejandro Mayorkas, meses antes de recuperarem a maioria na Câmara em 2022. "Não estamos copiando os republicanos, mas precisamos fazer o mesmo", afirmou. "Começar em janeiro é tarde demais."
Thanedar reforçou: "Temos um caso forte. Devemos trabalhar nele agora".
No entanto, nem todos os democratas que apoiam publicamente o impeachment consideram a medida uma prioridade partidária. Rep. Brad Schneider (D-Ill.) declarou que Trump "fez coisas graves", mas não necessariamente defende que o impeachment seja a principal estratégia do partido no momento.
O que esperar nos próximos meses
A crescente mobilização interna e o apoio popular indicam que o tema deve ganhar ainda mais relevância nos próximos meses. Com as eleições de 2026 se aproximando, a pressão sobre os líderes democratas para adotar uma postura mais dura contra Trump tende a aumentar.
Caso a estratégia de impeachment seja de fato implementada, o processo poderia se tornar um dos primeiros atos da nova legislatura, marcando um novo capítulo nas relações entre o Congresso e o ex-presidente.