Em todo o território norte-americano, comunidades rurais estão se mobilizando contra a expansão dos megacentros de dados de IA. Os moradores argumentam que as instalações, que consomem quantidades massivas de água e energia, representam uma ameaça aos recursos locais e ao custo de vida.
O que começou como uma resistência local ganhou força nacional, unindo eleitores de diferentes espectros políticos em um movimento raro: a oposição a projetos de megacentros de dados. Segundo pesquisa da Marquette University Law School, 70% dos eleitores de Wisconsin consideram que os malefícios dos centros superam os benefícios, independentemente de orientação partidária.
Uma causa bipartidária sem precedentes
O tema tem atraído atenção de políticos de diversas ideologias. O senador progressista Bernie Sanders (D-VT) propôs, no ano passado, uma moratória nacional para a construção de novos centros. Já o conservador Josh Hawley (R-MO), aliado de Trump, apresentou um projeto de lei com objetivo semelhante.
Até mesmo em situações improváveis, a união se concretiza. Um administrador de 53 anos da página Michigan for Jesus no Facebook, de orientação religiosa, se uniu a um ex-adepto de Trump para combater a instalação de centros no estado de Michigan, segundo o New York Times.
Críticas vão além de água e energia
Além do impacto ambiental e nos custos, os críticos questionam a promessa de geração de empregos. Muitos moradores relatam desconfiança com a velocidade dos projetos, que avançam sem consulta prévia às comunidades locais. A insatisfação também reflete o receio com a automação e demissões em massa impulsionadas pela IA.
De inimigos a aliados: o caso de Michigan
Em Lyon Township, no Michigan, a republicana Starlet Peedle e outros moradores, independentemente de filiação partidária, se organizam contra um projeto local. "Não importa se você é democrata ou republicano, estamos todos unidos contra isso", declarou Peedle ao NYT.
Em Kalkaska, também no Michigan, Ryan Wagner, um apoiador de Trump, se uniu a uma ativista ambiental de esquerda para combater um centro de dados. "Somos inimigos há muito tempo, mas quando se trata do nosso quintal, percebemos que somos as mesmas pessoas", afirmou.
Impacto nas eleições e na política local
O movimento tem influenciado até mesmo a reavaliação de posições políticas. Muitos eleitores, como Wagner, estão repensando suas alianças partidárias diante da prioridade dada ao tema.
Enquanto isso, projetos de lei estaduais e municipais começam a surgir para regulamentar ou barrar a instalação de novos centros, refletindo a pressão popular.