Líderes democratas nos Comitês de Supervisão e Administração da Câmara dos EUA enviaram uma carta ao Conselho de Governadores dos Correios dos Estados Unidos (USPS) exigindo que a agência se recuse a cumprir a ordem executiva do ex-presidente Donald Trump, que busca restringir ilegalmente o voto pelo correio.
A carta, enviada na sexta-feira (12) e obtida com exclusividade pela revista The New Republic, foi assinada pelos deputados Robert Garcia e Joe Morelle, membros de alto escalão dos comitês. Eles argumentam que Trump não tem autoridade sobre o USPS, uma agência independente que responde apenas ao seu próprio conselho de governadores.
Os legisladores destacam que o USPS é proibido por lei de fazer "qualquer discriminação indevida ou irracional entre os usuários dos correios". Além disso, a ordem executiva de Trump obrigaria a agência a realizar funções de administração eleitoral, o que é ilegal.
Ordem executiva de Trump e seus riscos
Assinada em março de 2024, a ordem executiva de Trump determina que os estados notifiquem o USPS com até 90 dias de antecedência sobre a intenção de permitir votação pelo correio ou ausência. Além disso, os estados "deveriam" fornecer à agência uma lista de eleitores elegíveis com até 60 dias antes da eleição. A ordem também exige que o USPS elabore listas de participação no voto pelo correio para cada estado e se recuse a entregar cédulas a quem não constar nessas listas.
No entanto, não há lei que obrigue os estados a fornecer essas informações ao USPS, tampouco que autorize a agência a exigir tais dados. O cronograma apresentado na ordem executiva poderia, portanto, deixar milhões de americanos sem direito ao voto.
"Todos os 50 estados e o Distrito de Columbia permitem que os eleitores se registrem e solicitem votar pelo correio até 60 dias antes de uma eleição, com alguns estados estabelecendo prazos ainda mais próximos. Além disso, não está claro como o USPS reconciliaria diferenças ou verificaria a precisão das listas estaduais de eleitores em comparação com a lista de cidadania do Departamento de Segurança Interna (DHS). Essa ordem executiva criará rapidamente um sistema de votação em duas camadas, no qual o direito de voto de alguns americanos será negado", afirmou a carta.
Reações e ações legais
Os democratas pediram ao Conselho de Governadores do USPS que esclareça se planeja implementar a ordem executiva de Trump e quais disposições específicas seriam atendidas. Eles também solicitaram uma reunião com a equipe da agência para explicar como o USPS pretende responder à medida e abordar as preocupações apresentadas na carta.
Oficiais de pelo menos duas dezenas de estados já entraram com ações judiciais contra a administração Trump para contestar a ordem executiva, que ameaça o direito constitucional dos estados de supervisionar suas próprias eleições. A carta também menciona as ameaças de Trump de "nacionalizar" ou "assumir" eleições federais, além de suas alegações infundadas de fraude eleitoral.
Os republicanos ainda tentam aprovar o projeto de lei SAVE America Act, que proibiria o voto universal pelo correio. Embora o líder da maioria no Senado, John Thune, tenha indicado que a medida não é sua prioridade, a proposta exigiria que os eleitores apresentassem um pedido para receber uma cédula pelo correio.