Estudo derruba mito: deportações não melhoram emprego de americanos

Mesmo entre críticos da política de deportações em massa do ex-presidente Donald Trump — que resultou na prisão de cerca de 60 mil imigrantes sem documentos pela ICE e na deportação de 350 mil a 605 mil pessoas — muitos acreditavam que a campanha beneficiaria trabalhadores americanos natos. A lógica era simples: menos imigrantes no mercado reduziriam a oferta de mão de obra, aumentando salários e oportunidades para cidadãos dos EUA.

Porém, um estudo pioneiro da Universidade do Colorado em Boulder, conduzido por Elizabeth Cox e Chloe N. East, revela que essa premissa está equivocada. Segundo a pesquisa, trabalhadores nascidos nos EUA não tiveram melhora no emprego ou nos salários após as operações da ICE. Pelo contrário: em setores com alta concentração de imigrantes, como construção civil, restaurantes e saúde, a participação de trabalhadores nativos até diminuiu.

Medo e queda na mão de obra imigrante

A pesquisa identificou que as operações da ICE reduziram não apenas o número de imigrantes presos, mas também o medo disseminado entre aqueles que permaneceram nos EUA. A insegurança levou muitos a deixarem seus empregos ou reduzirem suas horas de trabalho.

Nos setores mais dependentes de imigrantes, a participação no mercado de trabalho entre trabalhadores sem documentos caiu 3,4 pontos percentuais. Entre homens — maioria dos detidos pela ICE —, a queda foi ainda maior: 4,6 pontos percentuais, com redução de duas horas semanais trabalhadas.

Impacto nos trabalhadores americanos

Se a teoria de Trump fosse correta, a redução de mão de obra imigrante levaria os americanos a ocupar esses postos. No entanto, o estudo não encontrou aumento na oferta de trabalho entre nativos em setores imigrante-intensivos. Em vez disso, os dados mostram que trabalhadores americanos com baixa qualificação (ensino médio incompleto ou completo) — grupo chamado de "imigrante-adjacente" — também sofreram com a política.

Para cada seis trabalhadores homens sem documentos que perderam seus empregos, um trabalhador americano nato também foi afetado. A queda no emprego para esse grupo foi de 1,3%.

Por que a política falhou?

A hipótese levantada pelos pesquisadores é que muitos trabalhadores americanos em setores imigrante-intensivos ocupam cargos de supervisão ou especializados, enquanto os imigrantes preenchem funções básicas. Quando há escassez de mão de obra imigrante, a demanda por esses trabalhadores nativos também cai, pois não há substitutos suficientes para as funções inferiores.

Além disso, a insegurança gerada pelas deportações afeta toda a cadeia produtiva, reduzindo a produtividade e a contratação em geral.

"As deportações não apenas removem trabalhadores imigrantes, mas também desencorajam outros a permanecerem no mercado de trabalho. Isso prejudica não só os imigrantes, mas também os trabalhadores americanos que dependem desses setores", afirmou Elizabeth Cox, coautora do estudo.

Conclusão: política de deportações é ineficaz e prejudicial

Os resultados da pesquisa reforçam que a estratégia de Trump não atingiu seu objetivo declarado de beneficiar trabalhadores americanos. Em vez de criar mais empregos para nativos, a política gerou insegurança generalizada, reduzindo a participação de todos os trabalhadores em setores-chave da economia.

Para conservadores que defendem políticas que incentivem o trabalho, os dados mostram que as deportações falharam duplamente: não só não aumentaram o emprego entre americanos, como também prejudicaram a economia como um todo.