Por que Ghislaine Maxwell foi transferida para uma prisão de segurança mínima?
A transferência de Ghislaine Maxwell, ex-sócia de Jeffrey Epstein, para uma prisão de segurança mínima em Bryan, no Texas, em 2023, continua sem explicação clara por parte do governo dos EUA. O caso ganha novos contornos após a revelação de que existem até 120 mil páginas de documentos relacionados ao processo.
O que dizem os registros obtidos por meio de solicitação FOIA
Em busca de respostas, uma solicitação com base na Lei de Liberdade de Informação (FOIA) foi apresentada ao Bureau of Prisons (BOP), órgão responsável pela gestão penitenciária federal nos EUA. A pergunta central era: por que Maxwell, condenada a 20 anos por envolvimento em crimes sexuais contra menores, foi realocada para uma unidade de segurança mínima?
A prisão de Bryan abriga principalmente detentas de baixo risco, como fraudadoras de colarinho branco e condenadas por crimes não violentos. Entre suas residentes estavam a ex-fundadora da Theranos, Elizabeth Holmes, e Jen Shah, estrela do reality show Real Housewives of Salt Lake City, condenada por fraude.
Após meses de atraso, o BOP informou que levaria até nove meses para processar a solicitação. Diante da demora, o Reporters Committee for Freedom of the Press, em parceria com o Center for Investigative Reporting (que publica a revista Mother Jones), entrou com uma ação judicial para obrigar a liberação dos documentos.
Um volume surpreendente de registros
Em um documento judicial apresentado recentemente, o BOP revelou que identificou 15,8 GB de dados potencialmente relevantes, quantidade suficiente para travar sistemas durante o download devido ao tamanho excessivo. Segundo estimativas, os registros podem conter cerca de 120 mil páginas.
Esse volume é considerado excepcionalmente alto para um único caso de transferência prisional. O BOP afirmou que, após o download, realizará uma revisão para identificar documentos duplicados e relevantes. O número final pode ser menor, mas a quantidade inicial já levanta questionamentos sobre o que motivou tamanha documentação.
O contexto da transferência
Maxwell foi transferida de uma prisão de segurança média para Bryan logo após uma entrevista com Todd Blanche, então vice-procurador-geral e ex-advogado pessoal de Donald Trump. Durante o encontro, Maxwell teria elogiado Trump e negado qualquer conhecimento de condutas sexuais inadequadas por parte dele.
A decisão de transferi-la para uma unidade mais branda, onde atividades como aulas de ioga e programas com animais são oferecidas, permanece sem justificativa oficial. Especialistas e observadores do caso questionam se fatores externos, como conexões políticas ou pressões judiciais, influenciaram a decisão.
Próximos passos no caso
A ação judicial segue tramitando na Justiça Federal de Washington, D.C., onde um juiz analisará se o BOP cumpriu os prazos legais para responder à solicitação FOIA. Enquanto isso, a sociedade aguarda por respostas sobre os motivos que levaram à transferência de Maxwell e o que esses documentos podem revelar.
“A quantidade de registros sugere que há algo mais por trás dessa transferência do que uma simples realocação prisional.”
— Advogado especializado em liberdade de informação, em entrevista à imprensa.