E-mails internos da Amazon revelam suposto conluio para aumentar preços
A promotoria da Califórnia divulgou, nesta segunda-feira (10), trechos de e-mails internos da Amazon que, segundo alegações, demonstram práticas anticompetitivas da empresa. Os documentos fazem parte de uma ação judicial movida pelo estado em 2022, acusando a gigante do varejo de usar seu poder de mercado para pressionar fornecedores a elevar preços em plataformas concorrentes ou até mesmo remover produtos de sites mais baratos.
De acordo com o promotor-geral Rob Bonta, os e-mails revelam três esquemas distintos nos quais a Amazon e concorrentes parariam deliberadamente de praticar a política de preços, permitindo que um varejista aumentasse seus valores e o outro o acompanhasse no novo patamar. "Assim, ambos os concorrentes passam a vender a preços mais altos, aumentam seus lucros e os consumidores pagam mais", afirmou Bonta em comunicado.
Práticas denunciadas incluem pressão sobre fornecedores
Além do suposto conluio entre rivais, a ação judicial alega que a Amazon coagiu fornecedores a não oferecerem produtos em plataformas mais baratas, como forma de manter preços elevados em seu próprio marketplace. Segundo o The New York Times, os documentos fornecem um raro vislumbre das operações internas da empresa, avaliada em US$ 2,66 trilhões.
Os e-mails em questão incluem trechos como:
- Parceria para fixação de preços: Amazon e concorrente deixam de praticar preços competitivos para permitir aumentos mútuos;
- Pressão sobre fornecedores: ameaças de redução de visibilidade ou até exclusão de produtos em seu marketplace caso vendam em plataformas mais baratas;
- Remoção de produtos de sites concorrentes: fornecedores são incentivados a boicotar plataformas como Walmart ou eBay para manter preços altos na Amazon.
"A Amazon não apenas domina o mercado, como também usa seu poder para sufocar a concorrência e inflar preços. Essas práticas prejudicam não só os consumidores, mas também pequenos varejistas que não conseguem competir em condições justas." — Rob Bonta, promotor-geral da Califórnia
Amazon nega irregularidades e promete contestar acusações
Em resposta às alegações, a Amazon afirmou que as acusações são infundadas e que a empresa sempre buscou oferecer preços competitivos aos consumidores. "Nossos acordos com fornecedores visam garantir a melhor experiência de compra, não restringir a concorrência", declarou um porta-voz da empresa.
A gigante do varejo anunciou que irá contestar judicialmente as acusações, alegando que as práticas descritas são comuns no setor e não configuram violação de leis antitruste. A ação judicial ainda está em andamento, e os documentos divulgados nesta semana devem ser analisados em profundidade pelas autoridades.