O uso indiscriminado de agentes de IA para substituir tarefas de funcionários está se mostrando uma estratégia cara para muitas empresas. Segundo relatório da Axios, o volume crescente de requisições a esses sistemas está gerando custos superiores aos salários de equipes humanas.

Os agentes de IA são capazes de executar desde tarefas repetitivas até processos complexos. No entanto, uma das aplicações mais comuns no ambiente corporativo é a geração massiva de código, superando em velocidade e volume o trabalho de desenvolvedores humanos. Em alguns casos, engenheiros de software chegam a executar múltiplos agentes simultaneamente, cada um trabalhando em tarefas distintas sem supervisão. Cada requisição, no entanto, consome tokens, e a soma desses custos pode rapidamente se tornar insustentável.

"Para minha equipe, o custo de computação supera em muito os gastos com funcionários."
— Bryan Catanzaro, vice-presidente de aprendizado profundo da Nvidia

O problema se agrava à medida que empresas, inclusive as que desenvolvem IA, aumentam sua dependência dessas ferramentas. Segundo Boris Cherny, chefe do Claude Code da Anthropic, cerca de 100% do código da empresa é gerado por IA. Já Google e Microsoft afirmam que aproximadamente 25% de seus códigos são produzidos por IA. Na Meta, revisões de desempenho de funcionários agora incluem métricas de uso de IA, indicando que a pressão pelo uso dessas tecnologias vem de cima para baixo.

Paradoxalmente, muitos profissionais de tecnologia estão transformando o uso de tokens em uma competição interna. O termo "tokenmaxxing" — gíria para o uso excessivo de tokens em um único dia — já levou alguns usuários a gastarem mais de US$ 150 mil por mês em requisições.

"Provavelmente gasto mais com o Claude do que meu próprio salário."
— Max Linder, engenheiro de software em Estocolmo

Casos como o da Uber, onde engenheiros já esgotaram o orçamento de IA da empresa para 2026, mostram como o controle de gastos está fora de controle. Em março, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, chegou a propor um sistema em que engenheiros receberiam tokens equivalentes a metade de seus salários base — uma estratégia que, segundo ele, poderia ser usada como atrativo para recrutamento.

Enquanto isso, provedores de IA lucram com a situação. Um investidor da OpenAI afirmou à Axios que a eficiência de tokens do Codex, da empresa, poderia ser um diferencial em relação ao Claude Code da Anthropic. A própria Anthropic já aumentou seus preços como forma de capitalizar sobre a demanda.

Os custos com tokens são apenas um dos muitos pontos de interrogação em torno da automação por IA. Ainda não está claro se o uso de sistemas propensos a erros é realmente mais eficiente — ou se vale a pena os riscos de instabilidade interna. Incidentes recentes em empresas como Meta e Amazon reforçam essa dúvida, enquanto estudos indicam que forçar funcionários a usar IA pode reduzir a produtividade em vez de aumentá-la.

Fonte: Futurism