A Suprema Corte dos Estados Unidos iniciou, nesta semana, a análise de um pedido da Bayer AG para obter imunidade judicial em relação a milhares de processos que acusam o herbicida Roundup — cujo princípio ativo é o glifosato — de causar linfoma não-Hodgkin, um tipo de câncer no sangue.
A empresa alemã, que adquiriu a Monsanto em 2018, enfrenta há quase uma década mais de 100 mil ações judiciais de vítimas e familiares, que buscam indenizações bilionárias. Embora estudos científicos tenham associado o glifosato ao desenvolvimento de câncer, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) mantém a posição de que a substância “não é provavelmente carcinogênica para humanos”.
O presidente Donald Trump, por sua vez, classificou o glifosato como “essencial para a defesa nacional” e assinou um decreto para aumentar sua produção. Enquanto isso, no Congresso, deputados de diferentes partidos se mobilizam contra os esforços da Bayer para aprovar uma medida na Lei Agrícola de 2026 que impediria estados e municípios de emitir alertas sobre os riscos de pesticidas, ampliando ainda mais a imunidade legal da empresa.
“Isso não concede imunidade aos agricultores, mas às corporações”, declarou o deputado republicano Thomas Massie (R-Ky.) em recente pronunciamento. “Se um agricultor desenvolver câncer por causa desse produto, você não poderá processar se a medida for aprovada na Lei Agrícola.”
Enquanto o caso do Roundup avança no Judiciário e o projeto de lei tramita no Legislativo, governos estaduais continuam a utilizar grandes quantidades de glifosato, conforme revelou recente investigação do jornalista Nate Halverson.
No protesto realizado em frente à Suprema Corte, uma coalizão inusitada se formou: ativistas ambientais, políticos como o senador Cory Booker (D-NJ) e influenciadores digitais, como “The Food Babe” e “The Glyphosate Girl”, se uniram para pressionar contra a estratégia da Bayer. Representantes democratas e republicanos, como a deputada Chellie Pingree (D-Maine), também se manifestaram contra a medida proposta pela empresa.
O embate jurídico e político em torno do glifosato e do Roundup coloca em xeque não apenas a saúde pública, mas também os limites da responsabilidade corporativa e a regulação de agrotóxicos nos Estados Unidos.