Há alguns meses, enquanto me dedicava a um de meus novos hábitos — ou, quem sabe, compulsões —, verbalizei um medo que carregava há tempos. Talvez por vergonha, negação ou uma mistura de ambos. Primeiro, o ritual compulsivo: antes de dormir, com a precisão de um cirurgião cerebral, aplico uma camada de adesivos no rosto. A marca é Frownies, vendida como uma alternativa mais barata e menos invasiva ao Botox. Esses patches bege, com formatos específicos para contornar olhos, testa ou boca, prometem apagar sinais visíveis de envelhecimento até o amanhecer. Supostamente.

Foi então que admiti: ninguém com confiança em sua aparência submeter-se-ia voluntariamente a adesivos que se transformam, literalmente, em uma camada de concreto. Faço isso por um motivo simples: estou envelhecendo visivelmente, e isso não me agrada. Como mulher na casa dos 30 anos, com décadas de vida pela frente, não quero desaparecer socialmente — o que, infelizmente, costuma acontecer com muitas mulheres a partir de certa idade. Não desejo me tornar invisível quando meu rosto começar a ceder ou quando os vincos não desaparecerem mais com adesivos. Quero parecer não uma pessoa imatura, mas sim um ser misterioso, de idade ambígua. (Reconheço que se trata de uma preocupação de quem tem privilégios, mas não se preocupe: também me preocupo em pagar minhas contas no fim do mês. Afinal, sou feita de múltiplas camadas.)

O peso dos padrões de beleza da geração Y

Sou produto da geração dos anos 2000, quando revistas e entretenimento glorificavam a beleza, a juventude e a magreza como ideais supremos. O ciclo da moda voltou, e esses padrões estão em alta novamente — agora com a pressão adicional das redes sociais e do acesso facilitado a procedimentos estéticos. Em um momento de transição em minha vida, questionei se deveria ignorar a cobrança constante por perfeição e o que isso significaria para minha identidade.

Sei que o desejo de não envelhecer é risível. Afinal, todos rumamos para o mesmo destino inevitável. Mas algumas pessoas chegam às portas do tempo com poros mais lisos do que outras. Procedimentos como Botox, preenchimentos e lifting não são novidade, mas sua onipresença atual é surpreendente. Segundo a Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos, entre 2019 e 2022, a utilização de Botox e neuromoduladores semelhantes aumentou 73%. Em 2024, os preenchimentos foram o segundo procedimento minimamente invasivo mais popular. Desde 2017, os cirurgiões relatam um crescimento de 60% nos liftings faciais, e pacientes cada vez mais jovens têm buscado por eles. Embora mais homens estejam recorrendo a esses procedimentos, o público que mais os adota continua sendo majoritariamente feminino.

No total, entre 2020 e 2023, os procedimentos estéticos aumentaram 40% globalmente, segundo um estudo. As pessoas não estão modificando apenas o rosto: também estão reduzindo seus corpos. Quase um em cada oito adultos nos EUA afirmou já ter feito algum tipo de procedimento estético, de acordo com dados recentes.

A busca por uma aparência ambígua

Não se trata apenas de evitar rugas ou flacidez. Há uma crescente aspiração por uma aparência que desafie a idade, sem parecer artificial ou exagerada. Queremos ser confundidas com pessoas mais jovens, mas sem perder a profundidade e a experiência que vêm com os anos. É uma linha tênue entre a autoexpressão e a submissão a padrões inatingíveis.

Em um mundo onde filtros de realidade aumentada e edições de fotos são a norma, a linha entre o real e o artificial se dissolve. Muitas mulheres, especialmente aquelas que cresceram na era digital, sentem que precisam se adequar a um ideal de beleza que não apenas é inalcançável, mas também mutável. O que é considerado atraente hoje pode ser ridicularizado amanhã.

"A pressão por uma aparência jovem não é apenas sobre vaidade. É sobre controle, sobre manter-se relevante em uma sociedade que valoriza a juventude acima de tudo. Mas, afinal, o que perdemos quando sacrificamos nossa autenticidade em nome da juventude eterna?"

O que realmente significa envelhecer com dignidade?

Envelhecer não deveria ser sinônimo de desaparecimento social. Mulheres de todas as idades têm contribuições valiosas para oferecer, independentemente de sua aparência. No entanto, a indústria da beleza e as redes sociais continuam a vender a ideia de que a juventude é a única moeda de valor.

Talvez o primeiro passo seja redefinir o que significa envelhecer com dignidade. Isso pode significar aceitar as marcas do tempo como parte de nossa história, ou buscar procedimentos que realcem nossa beleza natural, em vez de apagá-la. O importante é que a escolha seja nossa, e não imposta por padrões externos.

Enquanto isso, continuo aplicando meus adesivos noturnos, não porque acredito que eles vão me transformar, mas porque, em um mundo que cobra perfeição, às vezes é mais fácil se render ao ritual do que enfrentar a pressão sozinha.

Fonte: Vox