Sullivan & Cromwell erra em petição com IA e admite 'alucinações'
O escritório Sullivan & Cromwell, um dos mais prestigiados do mundo, entrou para a lista de bancas que cometeram erros em petições devido à inteligência artificial. A constatação veio após a apresentação de uma petição com citações falsas geradas por IA, identificadas por um concorrente.
O caso é irônico: o Sullivan & Cromwell é justamente o escritório que aconselha a OpenAI sobre o uso ético e seguro da IA, conforme destaca em seu site. A situação levanta questionamentos sobre a confiabilidade das ferramentas de IA no meio jurídico.
Erro foi identificado por rival e admitido pela própria banca
A petição com os erros foi corrigida após o escritório Boies Schiller Flexner — que já havia cometido falhas semelhantes no passado — chamar a atenção para os problemas. O Sullivan & Cromwell reconheceu o erro em uma carta enviada ao tribunal, assinada pelo sócio sênior Andy Dietderich.
Na correspondência, Dietderich afirmou que tomou conhecimento dos erros na petição de emergência apresentada em abril de 2026, que continha citações falsas e outras inconsistências geradas por IA. Segundo ele, o escritório mantém políticas rígidas para o uso de ferramentas de IA, mas elas não foram seguidas no caso em questão.
"Lamentamos profundamente que isso tenha ocorrido. As políticas da firma incluem treinamentos e requisitos para o uso de IA, mas, infelizmente, não foram seguidas na preparação da petição."
Contexto e consequências
O Sullivan & Cromwell é uma das bancas mais influentes do mundo, com faturamento bilionário e atuação em casos de grande repercussão. O erro reforça os riscos do uso indiscriminado de IA no Direito, especialmente em petições judiciais.
Em 2023, o Boies Schiller Flexner também foi alvo de críticas após cometer falhas semelhantes em uma petição, o que levou o escritório a admitir publicamente os erros. Na ocasião, um sócio da banca elogiou a transparência do concorrente Sullivan & Cromwell.
- Erros identificados: Citações falsas geradas por IA;
- Responsável: Sócio sênior Andy Dietderich assinou a petição sem revisão adequada;
- Consequência: Admissão pública do erro e correção da petição;
- Contexto irônico: O escritório assessora a OpenAI em ética de IA.
O caso reforça a necessidade de supervisão humana rigorosa no uso de ferramentas de IA no meio jurídico, mesmo em bancas de elite.