O choque econômico sem precedentes da AGI
A economia americana enfrenta um desafio sem paralelo na história moderna: a chegada da inteligência artificial geral (AGI). Segundo especialistas como Dario Amodei, CEO da Anthropic, os impactos no mercado de trabalho serão "incomumente dolorosos" e maiores do que qualquer crise anterior. Suas previsões são alarmantes: a AGI poderia eliminar metade dos empregos de nível inicial no setor de serviços administrativos e elevar o desemprego para 10% a 20% em até cinco anos.
Empresas de IA já discutem o "contrato social" pós-AGI
Empresas como OpenAI e Anthropic não estão apenas alertando sobre os riscos. Elas já apresentam propostas para um novo modelo econômico, incluindo:
- Semanas de trabalho mais curtas;
- Fundos públicos de riqueza;
- Sistemas tributários modernizados.
O discurso é de abundância iminente, mas a pergunta central permanece: essas empresas podem realmente antecipar a política americana e evitar uma revolta populista antes mesmo que a sociedade decida o que deseja?
A política da prosperidade sem emprego
O cenário traçado pelas empresas de IA sugere uma economia em crescimento acelerado, mas com empregos desaparecendo. Essa dinâmica lembra fenômenos como a Revolução Industrial ou o "Choque da China", quando a prosperidade de uma minoria conviveu com a exclusão de milhões. O problema não será a recessão, mas a raiva de uma população que se sentirá excluída de uma economia em expansão.
Jasmine Sun, pesquisadora que estuda o impacto político da AGI, observa que "as atitudes anti-elite e niilistas que dominaram a cultura política dos EUA nos últimos anos estão se transformando em raiva contra os bilionários da IA".
O risco de uma revolta popular contra a AGI
Alex Imas, em seu estudo "O que será escasso?", argumenta que a disrupção econômica da AGI deve ser levada a sério, mesmo que as previsões de desemprego em massa no curto e longo prazo possam estar exageradas. As empresas de IA, no entanto, parecem cientes do problema e já apresentam soluções. Mas há dois obstáculos fundamentais:
- Os contratos sociais são extraídos dos poderosos pela sociedade, não impostos de cima para baixo;
- Não há consenso sobre como a economia da AGI se desenvolverá — nem mesmo se ela realmente levará à perda massiva de empregos.
O desafio de prever o futuro da AGI
As promessas de prosperidade com a AGI são tentadoras, mas os especialistas alertam: o otimismo das empresas de tecnologia pode não se traduzir em realidade. A política da prosperidade sem emprego pode gerar uma reação violenta, sufocando a inovação antes que ela se concretize. O desafio, portanto, não é apenas tecnológico, mas também político e social.
"Os eleitores não estarão ansiosos por uma economia encolhendo, mas furiosos por serem excluídos de uma que está em expansão."