O mercado de Bitcoin enfrentou uma das maiores quedas de sua história recente entre março e abril de 2026, quando a criptomoeda caiu cerca de 38% em relação ao pico de US$ 125.761 atingido em 6 de outubro de 2025. Nesse período, o preço do Bitcoin chegou a US$ 78 mil, mas os ETFs de Bitcoin nos EUA não apenas resistiram à pressão, como também registraram entradas líquidas recorde.
Somente em março, os ETFs de Bitcoin nos EUA atraíram US$ 1,32 bilhão, interrompendo uma sequência de quatro meses de saídas. Entre 6 e 22 de abril, o volume de entradas líquidas atingiu US$ 2,42 bilhões, com destaque para os dias 17 e 22 de abril, que registraram US$ 663,9 milhões e US$ 335,8 milhões em entradas, respectivamente.
Dados da Gemini revelam que os ETFs detinham 1,38 milhão de BTC no pico de outubro de 2025. Mesmo após a queda, a quantidade caiu para 1,28 milhão de BTC, mas rapidamente se recuperou para 1,31 milhões, demonstrando a resiliência dos investidores institucionais.
ETFs de Bitcoin: a força dos investidores institucionais
Segundo Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, durante uma queda de 20% no preço do Bitcoin, os ETFs registraram saídas inferiores a US$ 1 bilhão, representando menos de 0,5% de seus ativos totais. Esse comportamento ocorreu mesmo em um ambiente macroeconômico hostil, marcado por quedas de 21% no valor total de ativos digitais no primeiro trimestre, enquanto o Nasdaq-100 caiu 4,9% e o S&P 500, 5,1%.
Balchunas destacou que a pressão de venda veio de investidores de longo prazo e traders alavancados, enquanto os detentores de ETFs mantiveram suas posições. "A chamada veio de dentro da própria casa", afirmou o analista, reforçando que os ETFs absorveram a queda sem a onda de saídas prevista pelos céticos.
Quem realmente vendeu durante a queda?
A análise dos dados de fluxo de entrada e saída revela que os investidores institucionais, representados pelos ETFs, mantiveram suas posições, enquanto outros grupos venderam ativamente. Confira os principais perfis de investidores e seus comportamentos durante a queda:
- Detentores de ETFs de Bitcoin: Operam dentro de estruturas de portfólio modelado, regras de consultores, limites de posição e horários de negociação. Em uma queda, essa estrutura se traduz em disciplina, com maior probabilidade de manter ou rebalancear gradualmente suas posições.
- Investidores nativos em cripto: Possuem Bitcoin diretamente, com menos restrições formais. Tendem a vender de forma mais discricionária, especialmente em momentos de fraqueza.
- Traders alavancados: Operam em mercados de futuros ou margem, sujeitos a risco de liquidação. Em quedas acentuadas, podem ser forçados a vender rapidamente.
- Empresas com tesouraria em Bitcoin: Gerenciam alocações no balanço patrimonial, vendendo conforme necessidades de liquidez ou políticas internas.
- Mineradores: Vendem Bitcoin para cobrir custos operacionais e necessidades de caixa, muitas vezes em momentos de baixa.
Instituições abraçam os ETFs de Bitcoin
Pesquisas recentes reforçam a crescente adoção dos ETFs de Bitcoin por instituições financeiras. Segundo a pesquisa de 2026 da Bitwise e VettaFi, 32% dos consultores financeiros alocaram cripto em contas de clientes em 2025, um aumento em relação aos 22% do ano anterior. Além disso, 42% afirmam poder comprar cripto em contas de clientes, e 77% indicam os ETFs como seu veículo preferido.
Já a pesquisa de 2026 da EY-Parthenon e Coinbase revelou que 73% dos respondentes institucionais planejam aumentar suas alocações em ativos digitais. Esses dados demonstram que os ETFs estão se consolidando como a principal forma de exposição ao Bitcoin para investidores institucionais, oferecendo segurança, regulamentação e facilidade de gestão.
"Os ETFs de Bitcoin estão se tornando a porta de entrada padrão para instituições que buscam exposição ao ativo, mesmo em momentos de alta volatilidade." — Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg