Um ex-agente do FBI, Brian Driscoll, revelou detalhes chocantes sobre a conduta da agência durante a segunda gestão de Donald Trump. Segundo Driscoll, a instituição teria passado por um processo de testes de lealdade para determinar quem permaneceria em seus quadros.
Driscoll, que atuou por 18 anos no FBI e foi nomeado para o segundo cargo mais importante da agência no início do segundo mandato de Trump, tornou-se diretor interino do FBI por um erro administrativo. A situação só foi corrigida após a confirmação de Kash Patel pelo Senado, no final de fevereiro.
Pressões políticas e demissão
Embora relutante em assumir o cargo, Driscoll aceitou a posição após ser informado de que a escolha era entre ele e um nome indicado politicamente. No entanto, as perguntas feitas por assessores de Trump começaram a preocupá-lo. Eles questionaram sua afiliação política, em quem votou, quando passou a apoiar Trump e se havia votado em um democrata nas eleições recentes.
Kash Patel, por sua vez, foi mais direto. Segundo Driscoll, Patel afirmou que a integração de novos membros não seria um problema, desde que Driscoll não estivesse ativo em redes sociais, não tivesse doado para o Partido Democrata e não tivesse votado em Kamala Harris na eleição de 2024.
"Isso fez os cabelos da minha nuca se arrepiarem", declarou Driscoll à CNN.
Após a confirmação de Patel, Driscoll se reuniu com ele. Segundo o ex-agente, Patel afirmou que "o FBI tentou colocar o presidente na prisão e ele não esqueceu".
Conflito com a Casa Branca
Dois meses após a posse de Trump, a Casa Branca exigiu uma lista com cerca de 6 mil agentes do FBI envolvidos na investigação do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Driscoll se recusou a fornecer os nomes, o que levou a acusações de insubordinação por parte de Emil Bove, então integrante do Departamento de Justiça.
Ao questionar Bove sobre a necessidade da lista, Driscoll afirmou que o funcionário respondeu que se tratava de um problema de "degradação cultural no FBI".
"Eu disse a eles que aquilo estava errado", contou Driscoll à CNN.
Driscoll foi demitido em agosto daquele ano, mas as perseguições no FBI não cessaram. Segundo ele, a agência continuou a punir ou afastar agentes que pudessem representar uma ameaça à agenda do presidente, a pedido da Casa Branca. Isso incluiu funcionários envolvidos na investigação do assalto ao Capitólio e na apuração de documentos classificados de Trump.
Processo judicial contra a administração Trump
Driscoll é um dos três ex-agentes seniores do FBI que processaram a administração Trump por demissões motivadas por uma "campanha de retaliação". O processo ainda está em andamento.
Impacto nas investigações do FBI
As revelações de Driscoll levantam questões sobre a independência do FBI e a influência política em suas operações. Agentes envolvidos em investigações sensíveis, como a do 6 de janeiro e a de documentos classificados, foram alvo de perseguições, o que pode comprometer a credibilidade da agência.
O caso reforça as críticas à gestão de Trump, que teria buscado controlar o FBI para evitar futuras investigações contra si próprio ou aliados.