Ashley St. Clair, 27 anos, ex-influenciadora do movimento MAGA (sigla em inglês para "Make America Great Again"), virou personagem de uma das transições mais surpreendentes da internet nos últimos meses. Após oito anos defendendo publicamente a extrema-direita norte-americana, ela não apenas abandonou o grupo como também passou a expô-lo com críticas ácidas e humor ácido em vídeos no TikTok.

Formada em uma faculdade nos EUA, St. Clair se tornou conhecida não só por sua trajetória política, mas também por ter tido um filho com Elon Musk em 2023. A relação entre os dois, no entanto, rapidamente se transformou em um dos episódios mais polêmicos de sua vida, culminando em acusações públicas de abandono e falta de apoio financeiro.

Do MAGA ao exílio digital

Em seus vídeos, St. Clair resume sua mudança de postura com uma frase direta: “Fui uma influenciadora MAGA cringe por oito anos até encontrar meu cérebro.” Agora, ela se dedica a revelar os bastidores do movimento, desde os bastidores de Mar-a-Lago até as estratégias de mídia direitista, passando por figuras como Alex Jones e Benny Johnson.

Seu estilo de apresentação — que lembra a energia de Fran Drescher — combina maquiagem exagerada, sotaque nasalado e um tom de comédia que lembra os espetáculos de stand-up. No entanto, por trás da persona divertida, há uma crítica contundente ao sistema que ajudou a construir.

A autocrítica e o "rock bottom"

St. Clair não poupa críticas a si mesma. Em um de seus vídeos, ela contrastou imagens de sua maquiagem pesada com fotos de seu choro descontrolado, confessando: “Não tenho um osso envergonhado no corpo. Não me importo com nada.” Em outra publicação, ela declarou: “Querida, estou no fundo do poço.”

Essa autocrítica, no entanto, não é apenas retórica. Em 2023, sua relação com Musk se deteriorou rapidamente. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, Musk teria dito a ela em mensagens privadas que planejava usar “barrigas de aluguel” para atingir um “nível de procriação em massa antes do apocalipse”. Pouco depois, St. Clair anunciou o nascimento de seu filho Romulus no X (antigo Twitter), mas Musk teria tentado esconder a paternidade.

Em resposta, ela acusou Musk de reter supostamente a maior parte do suporte financeiro para “manter controle e me punir por desobediência”. St. Clair também afirmou estar enfrentando dificuldades financeiras, como uma possível remoção de sua casa.

Por que suas críticas fazem sucesso?

O apelo de St. Clair não está apenas em suas revelações, mas na forma como ela as apresenta: com uma mistura de vulnerabilidade e sarcasmo. Seu público parece fascinado pela dualidade de uma mulher que, ao mesmo tempo em que se considera “além da redenção”, expõe as contradições de um movimento que ajudou a promover.

Seus vídeos, que começam com o bordão “Get ready with me” (uma referência à maquiagem que aplica enquanto fala), atraem milhares de visualizações. Neles, ela não apenas critica figuras como Kristi Noem e Madison Cawthorn, mas também explica como as campanhas de influência da extrema-direita operam nos bastidores.

Para especialistas em mídia digital, St. Clair representa um fenômeno curioso: uma ex-integrante de um grupo que agora usa sua própria credibilidade para desmontá-lo. Seja por arrependimento genuíno ou por estratégia de marketing pessoal, sua trajetória levanta questões sobre a natureza da influência online e os limites da autenticidade nas redes.