Justiça americana mira 384 cidadãos naturalizados para revogar passaportes
O governo do ex-presidente Donald Trump intensificou esforços para revogar a cidadania de imigrantes naturalizados nos Estados Unidos. Segundo reportagem do New York Times publicada nesta quinta-feira (11), o Departamento de Justiça (DOJ) identificou 384 pessoas nascidas no exterior que serão alvo de processos judiciais para perderem a nacionalidade americana.
Processos serão abertos em 39 escritórios regionais
Além da lista de alvos, o DOJ orientou procuradores civis a prepararem ações judiciais contra esses indivíduos em 39 escritórios regionais. Embora 384 casos representem uma pequena fração dos mais de 818 mil naturalizados em 2024, a medida estabelece um precedente perigoso, segundo especialistas.
A revogação de cidadania é legal quando há comprovação de fraude no processo de naturalização, como casamento falso, ou condenação por crimes graves. Historicamente, o governo americano revoga em média 11 cidadanias por ano desde 1990. Durante o primeiro mandato de Trump, esse número subiu para cerca de 15 casos anuais.
Números batem recorde desde o século XIX
Neste ano, entretanto, o governo busca revogar cidadanias em volume não visto desde o início do século XIX. O Times revelou que o Departamento de Segurança Interna (DHS) recebeu ordem para identificar mais de 200 casos mensais de denaturalização para o DOJ processar.
Direitos e limites da medida
Apesar da gravidade, naturalizados que perderem a cidadania mantêm direitos básicos, exceto a elegibilidade para a presidência. O governo precisa comprovar fraude ou crime em julgamento civil ou criminal — um processo complexo e demorado. Cada caso pode ser contestado, o que deve sobrecarregar ainda mais o sistema judiciário, já abarrotado de processos migratórios.
«O governo já usou esse poder no passado para perseguir pessoas vistas como opositoras políticas.»
Risco de uso político da denaturalização
Embora a administração Trump afirme que só agirá contra criminosos ou casos de fraude, especialistas alertam para o risco de a medida ser usada como arma política. Comentários racistas do ex-presidente e classificações como a de antifa como organização terrorista aumentam a desconfiança.
Impacto no sistema judiciário
A ofensiva pode gerar centenas de novos processos em um sistema já sobrecarregado. Advogados imigratórios temem que a estratégia seja estendida a grupos específicos, como ativistas ou comunidades marginalizadas.
O DOJ não comentou publicamente o plano, mas a medida reforça a política de endurecimento migratório do governo Trump, que já incluiu deportações em massa e restrições a vistos.