Documentos revelam troca de dados sigilosos entre governo e grupos conspiratórios
A administração Trump teria organizado o compartilhamento de informações sensíveis de eleitores com um grupo externo, segundo documentos obtidos pela ONG Democracy Forward por meio de pedidos de acesso à informação.
As mensagens, parcialmente censuradas pelo governo, mostram a interação entre funcionários da Divisão de Operações Governamentais Especiais (DOGE) e uma organização ligada a teorias conspiratórias sobre as eleições de 2020. Em um trecho, o grupo escreveu:
“Nós vivemos para isso!”
Parceria com grupo de negação de eleições
Em março de 2025, o grupo True the Vote, conhecido por promover alegações infundadas sobre fraudes eleitorais, entrou em contato com funcionários federais vinculados à administração Trump. A mensagem, publicada no site da organização, pedia apoio para investigar sistemas de registro de eleitores nos estados:
“Dada a missão da DOGE de aprimorar a eficiência governamental e suas recentes descobertas sobre discrepâncias em dados federais, instamos que estendam sua análise rigorosa aos sistemas de registro de eleitores do país.”
True the Vote se ofereceu para auxiliar nesse esforço.
O grupo negou envolvimento no esquema após a revelação da Administração da Previdência Social (SSA), que admitiu, em janeiro, ter havido comunicações não autorizadas entre seus subordinados e organizações negacionistas.
Justiça bloqueia acesso a dados em diversos estados
A estratégia da administração Trump inclui tentativas de obter acesso a registros de eleitores em todo o país, o que envolveria milhões de dados sensíveis de cidadãos americanos. O Departamento de Justiça (DOJ) já moveu ações judiciais contra 30 estados para forçar a liberação dessas informações antes das eleições de meio de mandato.
Até o momento, mais de uma dezena de estados liderados por republicanos já cederam os dados voluntariamente ou se comprometeram a fazê-lo, incluindo Alasca, Arkansas, Indiana, Louisiana, Mississippi, Nebraska, Ohio, Oklahoma, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Tennessee, Texas e Wyoming.
No entanto, juízes em diversos estados barraram as tentativas do DOJ, incluindo em Rhode Island, Califórnia, Massachusetts, Michigan e Oregon. Até um magistrado indicado por Trump anulou o caso no Arizona, argumentando que os registros detalhados de eleitores “não são documentos passíveis de solicitação pelo procurador-geral sob a legislação federal”.
Reação de especialistas e defensores
Skye Perryman, presidente da Democracy Forward, criticou a falta de transparência da administração:
“A administração Trump-Vance continua escondendo o que faz com os dados pessoais dos americanos, com quem os compartilha ilegalmente e por quê.”
O caso reforça preocupações sobre o uso político de informações eleitorais e a segurança dos dados de cidadãos nos Estados Unidos.