A organização Indivisible, que se define como um movimento pró-democracia e anti-autoritário impulsionado pela população, participou ativamente das ações do May Day Strong neste 1º de Maio. A iniciativa segue o modelo de greve de um dia adotado em Minnesota em janeiro, marcando uma virada estratégica rumo a ações trabalhistas mais disruptivas.

Para Ezra Levin, cofundador e diretor-executivo da Indivisible, a participação no May Day Strong reforça a necessidade de construir uma coalizão mais ampla. "A sociedade não funciona sem trabalhadores, e o sistema político também não funciona enquanto bilionários e megacorporações dominam as decisões", afirmou Levin em entrevista exclusiva. "Precisamos envolver mais pessoas comuns na política."

O cenário atual é desafiador: a Suprema Corte derrubou direitos de voto, e a administração Trump intensificou conflitos internacionais, como a guerra no Irã, com altos custos humanos e financeiros. No entanto, Levin evitou fazer projeções de longo prazo. "Não podemos medir o sucesso de um movimento pró-democracia apenas pelo dano causado pelos autoritários. O foco deve estar no crescimento da coalizão e na adoção de novas táticas", explicou.

A estratégia da Indivisible para o 1º de Maio exemplifica essa abordagem. Levin destacou a importância de incluir não apenas ativistas, mas também cidadãos comuns. "Nossa organização não é capaz de mobilizar todo o país sozinha. Somos apenas uma peça desse quebra-cabeça", declarou.

Coalizões como caminho para a democracia

Levin reforçou que a construção de uma democracia real depende de alianças entre diferentes grupos. "Não há caminho para uma democracia genuína sem coalizões. Nenhuma organização ou movimento isolado será capaz de mudar significativamente o sistema político", afirmou. Ele citou iniciativas recentes da Indivisible, como a coalizão Hands Off, lançada há um ano, os protestos Good Trouble Lives On em homenagem a John Lewis e a coalizão No Kings, composta por centenas de membros.

O May Day Strong, liderado por uma coalizão com forte ênfase na participação sindical, é um exemplo dessa estratégia. "Não é possível construir um movimento pró-democracia bem-sucedido sem o envolvimento ativo de líderes sindicais. Também é essencial acolher novos membros e apoiá-los em ações como esta", disse Levin.

Mensurando impacto em tempos de crise

Diante de retrocessos como a decisão da Suprema Corte que esvaziou direitos de voto, questionou-se como a Indivisible avalia o impacto de suas ações. Levin respondeu com cautela: "É difícil mensurar o sucesso em um cenário tão hostil. Por isso, focamos em expandir nossa base e testar novas formas de atuação".