O logotipo da Paramount em uma torre de água nos estúdios da empresa, em Los Angeles, Califórnia, em dezembro de 2025. (Foto: Mario Tama/Getty Images)

A recente fusão entre Paramount Global e Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 111 bilhões, está sob análise do Comitê de Investimento Estrangeiro nos EUA (CFIUS), após senadores questionarem a participação de empresas chinesas no acordo.

Em comunicado à SEC em 2025, a Paramount afirmou que não seria necessário um exame do CFIUS, alegando que os fundos soberanos do Oriente Médio — responsáveis por 38,5% do capital da transação — não terão poder de governança na empresa. Além disso, a empresa destacou que a Tencent, gigante chinesa com laços com o governo, não será mais parceira financeira no negócio.

No entanto, a situação é mais complexa do que aparenta. A Tencent já foi investidora da Skydance Media, empresa que se fundiu com a Paramount no ano passado. Embora tenha reduzido sua participação para cerca de 5% no novo conglomerado, a empresa chinesa mantém vínculos com a Skydance, o que levanta suspeitas sobre possíveis influências indiretas.

Senadores pedem revisão do CFIUS

Em carta ao comitê, os senadores Elizabeth Warren e Cory Booker argumentaram que a retirada e posterior reentrada da Tencent no acordo, sempre em valores abaixo do limite de fiscalização, sugere uma estratégia para evitar a análise do CFIUS.

Os legisladores destacaram que, mesmo com a redução da participação, a presença da Tencent — classificada pelo Departamento de Defesa dos EUA como uma "empresa militar chinesa" — representa um risco à segurança nacional.

Impacto no entretenimento e geopolítica

O caso vai além de uma simples transação corporativa. A Paramount é dona de redes como CNN e CBS, cujas coberturas de notícias internacionais poderiam ser influenciadas por interesses estrangeiros, segundo críticos.

Embora a empresa afirme que os investidores estrangeiros não terão poder decisório, especialistas questionam se essa garantia é suficiente para afastar riscos de censura ou viés em conteúdos jornalísticos.

O CFIUS ainda não se manifestou oficialmente sobre o pedido de revisão, mas o caso reforça as tensões entre regulação de investimentos estrangeiros e o poder das big techs chinesas no mercado global.