O presidente Donald Trump tem comemorado nas redes sociais o que chama de "vitória histórica" contra o Irã, mas a realidade no campo de batalha conta outra história. Em sua conta no Truth Social, Trump afirmou na terça-feira que o Irã estaria "desmoronando financeiramente", citando perdas diárias de US$ 500 milhões e protestos de militares e policiais sem pagamento.

No entanto, a estratégia de pressão máxima do governo americano não tem produzido os resultados esperados. O Irã, apesar dos danos causados por meses de ataques aéreos dos EUA e Israel — que mataram o líder supremo Ali Khamenei e destruíram parte de sua infraestrutura militar —, continua resistindo. O fechamento do Estreito de Ormuz, principal rota de petróleo do mundo, elevou os preços globais de combustível, incluindo um aumento de 30% nos postos dos EUA.

Trump recua antes dos iranianos

O Irã demonstrou que pode aguentar mais pressão do que a administração Trump. Na terça-feira, o presidente americano estendeu indefinidamente um cessar-fogo que os iranianos haviam rejeitado voltar a negociar. Para analistas, isso foi interpretado como um sinal de que Trump cedeu primeiro.

"Trump demonstrou que está mais desesperado para sair de uma guerra desastrosa que ele mesmo começou."

A decisão de Trump de estender o cessar-fogo sem contrapartidas claras reforça a falta de coerência na estratégia americana. Desde o início, não houve um plano concreto para justificar a morte de Khamenei e a eliminação de grande parte da liderança iraniana, além de um desejo vago de "mudança de regime".

Consequências da guerra: Irã mais forte e perigoso

A guerra não apenas não alcançou seus objetivos, como piorou a situação para o povo iraniano e para a estabilidade global. Ao eliminar lideranças moderadas e bombardear o país, os EUA e Israel enfraqueceram qualquer movimento democrático interno, fortalecendo ao mesmo tempo o establishment militar iraniano.

Desde o cessar-fogo iniciado em 8 de abril, a situação permanece confusa. O Estreito de Ormuz, crucial para o comércio global, foi aberto e fechado várias vezes. Enquanto Trump tenta vender a narrativa de que sua pressão foi decisiva para mantê-lo fechado, navios iranianos — que o governo americano já declarou ter "destruído" várias vezes — continuam a interceptar e até apreender embarcações comerciais.

Impacto global e falta de estratégia clara

As consequências do fechamento do Estreito de Ormuz são graves. Com o aumento dos preços do petróleo, a economia global já sente os efeitos. No entanto, a estratégia americana parece mais focada em manipulação narrativa do que em resultados tangíveis.

Enquanto Trump tenta projetar força, o Irã mostra que sua resistência persiste. A guerra, que começou com promessas de vitória rápida, agora se arrasta sem um fim à vista, com ambos os lados sofrendo perdas significativas e nenhuma solução clara à vista.