A ascensão dos modelos de IA personalizados não é mais exclusividade das grandes empresas do setor. A Krea, startup de 37 funcionários, acaba de lançar seu primeiro modelo de IA generativa, marcando uma transição estratégica: de ferramenta de design para laboratório de pesquisa em IA.
O movimento da Krea é significativo, mas também sinaliza um momento quase inevitável no mercado de IA em rápida evolução. Empresas menores, como a Krea, estão ganhando espaço para apostar em inovações disruptivas, mesmo com recursos limitados em comparação aos gigantes do setor.
Enquanto gigantes como OpenAI e Anthropic levantam bilhões — US$ 180 bilhões e US$ 72 bilhões, respectivamente — para treinar modelos de fronteira, a Krea opta por uma abordagem diferente. Com uma valuation de US$ 500 milhões após sua Série B, a startup prova que tamanho não é tudo. Para o cofundador Diego Rodriguez, a agilidade e a capacidade de inovar compensam a diferença de escala.
“Até que haja um vencedor — até que a OpenAI ou outra empresa seja lucrativa — os Jogos Olímpicos da IA estão em andamento”, brinca Rodriguez, destacando a competição acirrada no setor.
A evolução da Krea: da criatividade à inovação em IA
A Krea foi fundada em 2023 com o objetivo de se tornar o Adobe da era da IA: uma plataforma criativa projetada para permitir não apenas a geração de mídia com IA, mas também o ajuste fino desses resultados. Seus controles, inspirados em sintetizadores musicais, oferecem uma experiência mais intuitiva do que as ferramentas tradicionais de design.
A startup foi pioneira em ferramentas de edição de IA em tempo real e integrou APIs de outros modelos de IA em seu aplicativo — uma prática que hoje é padrão no mercado. Em pouco tempo, a Krea atingiu a lucratividade, mas a equipe identificou um limite claro em seu trabalho: a dependência dos modelos subjacentes.
Os limites dos modelos de imagem atuais
Os modelos de imagem de hoje são impressionantes em tarefas específicas, muitas vezes viralizando nas redes sociais. No entanto, eles também podem se sentir restritivos. Prompts criativos ainda levam a resultados previsíveis, pois os modelos evitam falhas e priorizam imagens “seguras”.
“Os modelos são treinados para não falhar e sempre entregar uma boa imagem. Isso, na minha opinião, limita muito o uso criativo — quebrar barreiras e permitir que as pessoas explorem caminhos alternativos, criando imagens ‘ruins’ ou mais artísticas, que um designer poderia valorizar mais.”
Victor Perez, cofundador da Krea
Em uma demonstração, a Krea comparou seu modelo com o Google Nano Banana usando o prompt “um gato andando de bicicleta”. Enquanto o modelo da Krea gerou imagens variadas e com um estilo mais artesanal, o Nano Banana produziu resultados semelhantes a um livro de colorir, independentemente das variações no prompt.
Para designers e ilustradores, essa limitação é evidente: os modelos atuais priorizam o fotorrealismo, mas a criatividade muitas vezes exige explorar o inesperado. A Krea busca preencher essa lacuna, oferecendo mais liberdade criativa aos usuários.