O mercado acionário dos EUA atingiu um novo patamar histórico na última segunda-feira (13), com o S&P 500 registrando alta, enquanto o Bitcoin perdeu seu suporte psicológico de US$ 80 mil, chegando a um mínimo intradiário de US$ 78.760. A disparidade entre os ativos expôs uma fragilidade na correlação que traders vinham observando entre o mercado cripto e as ações de alto risco.
Megacapitals dominam o rally, enquanto Bitcoin fica para trás
O avanço do S&P 500 foi puxado pelas maiores empresas do índice, conhecidas como megacapitals. Das onze setores do índice, sete fecharam em queda, e o Dow Jones recuou. Mesmo com o índice principal subindo, o número de ações em declínio superou os avanços tanto na NYSE quanto na Nasdaq, indicando um mercado de baixa amplitude.
As principais responsáveis pela alta foram as ações de tecnologia, com destaque para a Nvidia (+2,84%) e o QQQ (+1,06%), que reflete o desempenho das 100 maiores empresas de tecnologia da Nasdaq. A força dessas ações está diretamente ligada aos investimentos em IA, receitas projetadas e programas de recompra de ações.
Por que o Bitcoin não acompanhou o movimento?
O Bitcoin, que vinha sendo tratado como um ativo de alto beta (alta volatilidade) alinhado ao apetite por risco do mercado, não conseguiu se beneficiar do otimismo. Enquanto as megacapitals geram fluxo de caixa e apresentam projeções de lucros positivas, o Bitcoin depende exclusivamente da liquidez global para valorização.
No dia 13 de maio, o índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA subiu 1,4% no mês e 6% em 12 meses, o maior avanço desde dezembro de 2022. O aumento foi liderado pelos preços da energia, com a gasolina subindo 15,6% no período. Esse dado reforçou as expectativas de alta de juros pelo Federal Reserve, com 34,3% de probabilidade de um novo aumento até dezembro, segundo traders.
Como o Bitcoin não gera rendimento e não tem fluxo de caixa, a combinação de juros mais altos e dólar fortalecido age como um imposto indireto sobre sua valuation, reduzindo seu apelo como reserva de valor.
Correlação com o mercado acionário, mas sem o mesmo upside
Um estudo da K33 Research revelou que a correlação de 30 dias entre o Bitcoin e o Nasdaq permaneceu acima de 0,7, confirmando que o ativo cripto ainda segue o ciclo macro das ações. No entanto, quando o Nasdaq registra altas superiores a 10% em 30 dias, o upside do Bitcoin tende a enfraquecer.
Entre 30 de março e 13 de maio, enquanto a Nvidia subiu 45% e o QQQ avançou 28%, o Bitcoin registrou alta de apenas 4% antes de perder o suporte de US$ 80 mil. A concentração do rally nas ações de IA e megacapitals, aliada à deterioração das condições de liquidez para o Bitcoin, explica a divergência.
O que esperar agora?
Analistas apontam que, enquanto o mercado acionário continuar sendo impulsionado por lucros, recompra de ações e investimentos em IA, o Bitcoin pode permanecer pressionado. A dependência do ativo cripto em relação à liquidez global e à política monetária do Fed torna seu desempenho mais vulnerável a mudanças no cenário econômico.
Para os investidores, a lição é clara: a correlação entre Bitcoin e ações existe, mas não há garantia de que o ativo digital acompanhe os mesmos ganhos quando o mercado está concentrado em fluxo de caixa e valuation de empresas consolidadas.