Um órgão de fiscalização climática corporativa, conhecido como Climate Action 100+, desistiu de uma proposta de regra que exigiria que grandes empresas de tecnologia utilizassem certificados de energia limpa para seus data centers movidos a gás natural.

A decisão, anunciada recentemente, foi influenciada por fortes lobbying de gigantes do setor, como Microsoft, Google e Amazon. Essas empresas argumentaram que a regra poderia aumentar seus custos operacionais e limitar sua flexibilidade energética.

Pressão das big techs e impacto ambiental

Segundo relatórios internos obtidos pela imprensa, as negociações entre o Climate Action 100+ e as empresas de tecnologia foram intensas. As big techs apresentaram estudos que destacavam os desafios técnicos e financeiros de migrar para fontes 100% renováveis em curto prazo.

No entanto, críticos da decisão alertam que os data centers movidos a gás natural contribuem significativamente para as emissões de carbono do setor. Um estudo da International Energy Agency (IEA) estima que os data centers são responsáveis por cerca de 1% do consumo global de eletricidade e 0,3% das emissões globais de CO₂.

Reação de ambientalistas e especialistas

Organizações não governamentais e especialistas em sustentabilidade reagiram com indignação à decisão. "É um retrocesso na luta contra as mudanças climáticas", afirmou Elizabeth Strucken, diretora de estratégia climática da WWF. "As empresas de tecnologia têm recursos e capacidade para liderar a transição energética, mas estão optando por manter práticas insustentáveis."

Outros especialistas destacam que, embora a transição para energias renováveis seja complexa, o setor tecnológico poderia investir em soluções inovadoras, como energias solar e eólica, ou até mesmo em nuclear e hidrogênio verde, para reduzir sua dependência de combustíveis fósseis.

O que vem pela frente?

Apesar do recuo do Climate Action 100+, a pressão sobre as big techs para adotarem práticas mais sustentáveis deve continuar. Governos e investidores estão cada vez mais exigentes quanto à transparência e responsabilidade ambiental das empresas.

Algumas empresas já começaram a tomar medidas. A Google, por exemplo, anunciou recentemente que seus data centers serão alimentados 100% por energia renovável até 2030. A Microsoft também tem compromissos semelhantes, embora ainda utilize gás natural em algumas de suas operações.

"As empresas de tecnologia têm a responsabilidade de liderar a transição para um futuro mais sustentável. Não podemos mais usar a desculpa de que a transição é difícil como justificativa para manter práticas que prejudicam o planeta." — Greta Thunberg

Enquanto isso, ambientalistas pedem que os consumidores exijam maior transparência das empresas e apoiem iniciativas que promovam a energia limpa. A luta contra as mudanças climáticas não pode esperar, e o setor tecnológico tem um papel crucial a desempenhar.

Fonte: Engadget