WASHINGTON — A crescente insatisfação entre republicanos com a postura de Donald Trump em relação ao Irã atingiu um novo patamar nesta semana. Três senadores do partido votaram ao lado dos democratas para aprovar uma resolução que busca encerrar a participação dos EUA no conflito, conforme determina a Lei de Poderes de Guerra (War Powers Act). As parlamentares Susan Collins, Lisa Murkowski e Rand Paul se uniram à oposição, enquanto o senador John Fetterman, da Pensilvânia, frustrou a maioria ao votar contra a medida, que foi rejeitada por 50 a 49 votos.

A decisão ocorre em meio a denúncias do The New York Times que revelam que as alegações de Trump e de seu aliado Pete Hegseth sobre o sucesso da campanha militar são substancialmente exageradas. Além disso, o ex-presidente causou polêmica ao admitir, em uma entrevista recente, que não se preocupa com o impacto da inflação gerada pela guerra sobre a população americana.

Para analisar o cenário, Greg Sargent, apresentador do podcast The Daily Blast, conversou com Nicholas Grossman, professor de Relações Internacionais e autor de artigo recente na MS Now. Segundo Grossman, os custos econômicos e políticos da guerra estão apenas começando a se manifestar, o que deve agravar ainda mais a situação para Trump e os republicanos.

Divisões no Partido Republicano

O voto no Senado reflete uma crescente divisão dentro do GOP. Embora a resolução tenha sido derrotada por uma pequena margem, a participação de três senadores republicanos ao lado dos democratas sinaliza um afastamento da base trumpista. Especialistas apontam que a insatisfação está diretamente ligada ao agravamento da crise econômica nos EUA, impulsionada pelos gastos militares e pela escalada do conflito.

Grossman destacou que a Lei de Poderes de Guerra, criada para limitar a autoridade presidencial em conflitos armados, tem sido sistematicamente ignorada. Durante o primeiro mandato de Trump, o Congresso tentou, sem sucesso, obrigar o então presidente a encerrar o apoio dos EUA à campanha saudita no Iêmen. A medida foi vetada por Trump e não obteve votos suficientes para derrubar o veto, graças à lealdade de parlamentares alinhados ao movimento MAGA.

«O que está acontecendo agora é um sinal de enfraquecimento democrático nos EUA, com o poder sendo cada vez mais concentrado no Executivo. Quando o Congresso tenta reafirmar sua autoridade, isso deveria ser visto como algo positivo.»

— Nicholas Grossman, professor de Relações Internacionais

Impacto econômico e político

A guerra com o Irã tem gerado consequências econômicas significativas, incluindo o aumento da inflação e a queda na aprovação popular. Segundo analistas, os custos da campanha militar estão se tornando insustentáveis, tanto financeiramente quanto politicamente. Trump, que sempre defendeu uma postura agressiva contra Teerã, agora enfrenta críticas até mesmo dentro de seu próprio partido.

Os republicanos, tradicionalmente defensores de uma política externa intervencionista, estão cada vez mais divididos. Enquanto alguns ainda apoiam a postura de Trump, outros reconhecem que a estratégia atual está prejudicando a economia e a imagem do partido. A resolução apresentada no Senado, embora não tenha sido aprovada, serve como um alerta para a administração atual e para os aliados do ex-presidente.

Os especialistas alertam que, se a situação não for revertida, as consequências políticas para Trump e os republicanos podem se agravar ainda mais nas próximas eleições.