A queima de carvão, o combustível fóssil mais poluente do mundo, não apenas prejudica a saúde humana e o meio ambiente, mas também prejudica diretamente a geração de energia solar. Segundo um novo estudo conduzido por pesquisadores do Reino Unido, as partículas suspensas no ar — muitas delas provenientes de usinas termelétricas a carvão — reduzem drasticamente a capacidade de painéis solares de produzirem eletricidade.

Publicado recentemente, o trabalho analisou dados de inventários globais de usinas solares, combinados com imagens de satélite processadas por inteligência artificial e registros geolocalizados. Os pesquisadores calcularam que, anualmente, centenas de terawatts de energia solar deixam de ser gerados devido à presença dessas partículas na atmosfera.

Como a poluição afeta a energia solar

As partículas suspensas no ar, conhecidas como aerossóis, podem ser de origem natural (como poeira ou sal marinho) ou humana (como a fuligem de fábricas e veículos). No entanto, a queima de carvão é uma das principais fontes de aerossóis artificiais, especialmente aqueles ricos em enxofre e óxidos de nitrogênio.

Esses poluentes não apenas bloqueiam parte da luz solar que chega aos painéis solares, mas também alteram as propriedades ópticas da atmosfera, reduzindo ainda mais a eficiência dos sistemas fotovoltaicos. Segundo os autores do estudo, a interferência é tão significativa que, em algumas regiões, a perda de produtividade pode chegar a 20% em comparação com áreas com ar mais limpo.

Impacto global e soluções

Os pesquisadores destacam que a transição para fontes de energia limpa, como a solar, é essencial para mitigar as mudanças climáticas. No entanto, os resultados do estudo mostram que a poluição existente pode atrapalhar esse progresso.

Para combater o problema, os cientistas sugerem que políticas públicas mais rígidas de controle de emissões — especialmente em países que ainda dependem fortemente do carvão — poderiam não apenas melhorar a qualidade do ar, mas também aumentar a eficiência da energia solar. Além disso, a instalação de sistemas de filtragem em usinas termelétricas e a adoção de tecnologias de captura de carbono também são apontadas como medidas eficazes.

Outra abordagem mencionada é o planejamento estratégico de usinas solares, levando em consideração a qualidade do ar local. Regiões com alta concentração de aerossóis industriais poderiam se beneficiar de tecnologias mais avançadas ou de sistemas de limpeza automática dos painéis.

Conclusão

O estudo reforça a importância de uma transição energética integrada, onde a redução da poluição não apenas protege a saúde e o clima, mas também potencializa o aproveitamento de fontes renováveis. Sem ações concretas para diminuir as emissões de carvão, o mundo pode perder uma parcela significativa do potencial da energia solar — um recurso cada vez mais vital para um futuro sustentável.