A Comissão de Bancos do Senado dos Estados Unidos aprovou, em 14 de maio, a controversa Lei CLARITY por 15 votos a 9, após uma sessão tumultuada marcada por disputas partidárias e manobras legislativas.
A proposta, que busca modernizar as regras para o setor de criptomoedas nos EUA, enfrentou resistência de democratas liderados pela senadora Elizabeth Warren, que questionou a priorização do projeto em meio a crises econômicas domésticas.
O discurso inicial: inovação versus regulamentação
O presidente da comissão, senador Tim Scott, abriu a audiência defendendo o projeto como uma medida necessária para evitar que a inovação financeira americana migrasse para mercados estrangeiros. Scott argumentou que a lei fortaleceria as regras contra lavagem de dinheiro e daria mais ferramentas ao governo para combater atividades ilícitas.
"Proteger nossa segurança nacional significa fechar portas que criminosos, terroristas e regimes hostis tentam explorar", declarou Scott, que também vinculou o projeto à defesa do "sonho americano", mencionando a trajetória de sua mãe como mãe solteira.
Críticas de Warren: lobby cripto e conflitos de interesse
Elizabeth Warren rapidamente desconstruiu o argumento de Scott, focando nas dificuldades econômicas das famílias americanas. Ela classificou a proposta como um "projeto de lei pró-indústria cripto" em um momento em que os cidadãos enfrentam alta nos preços de alimentos, saúde e serviços básicos.
"Enquanto milhões de famílias lutam para pagar suas contas, nós estamos aqui discutindo um projeto escrito pela indústria cripto para a indústria cripto", afirmou Warren, citando uma pesquisa da CoinDesk que indicava que apenas 1% dos eleitores consideravam o tema uma prioridade.
A senadora também levantou suspeitas sobre conflitos de interesse, destacando que o ex-presidente Donald Trump e sua família teriam acumulado cerca de US$ 1,4 bilhão em ganhos com criptomoedas desde 2024.
"Nenhum presidente — e nenhum membro do Congresso — deveria lucrar com criptomoedas enquanto regula o setor."
Batalha de emendas e vitória republicana
Durante a fase de markup, o clima na comissão tornou-se tenso. Scott e os republicanos conseguiram barrar várias emendas propostas pelos democratas, que buscavam incluir cláusulas éticas e restrições mais rígidas ao setor.
A aprovação final, embora apertada, consolidou a Lei CLARITY como um marco na regulação de ativos digitais nos EUA, mas deixou dúvidas sobre seu impacto real na economia e na transparência governamental.