Estudo aponta alta taxa de desinformação em vídeos sobre saúde mental no TikTok

Um estudo recente publicado no Journal of Social Media Research identificou que metade dos conteúdos sobre TDAH e 41% sobre autismo no TikTok apresentam informações enganosas ou sem embasamento científico. A pesquisa, conduzida pela Universidade de East Anglia, analisou vídeos de alto desempenho nessas plataformas e constatou que plataformas como YouTube, Facebook, Instagram e X (antigo Twitter) também disseminam conteúdos não confiáveis sobre saúde mental.

Plataformas priorizam conteúdo emocional em vez de informações precisas

Os pesquisadores destacaram que muitos vídeos se baseiam em experiências pessoais e traços simplificados, em vez de critérios clínicos ou orientações profissionais. Segundo a psicóloga clínica Eleanor Chatburn, autora sênior do estudo, a taxa de desinformação pode chegar a 56% em alguns casos.

“Nossos resultados mostram como vídeos envolventes, mesmo sem precisão, se espalham rapidamente. Muitos jovens buscam informações sobre saúde mental nessas plataformas, mas a qualidade da informação varia muito.”

Por que a desinformação se espalha tão facilmente?

O psicólogo clínico Darren O’Reilly, diretor da AuDHD Psychiatry, explicou que o TikTok e outras redes sociais recompensam conteúdos emocionais, rápidos e compartilháveis, não necessariamente precisos.

“O TikTok não premia quem está certo, mas quem é relatable e confiante. Com TDAH e autismo, as pessoas podem se identificar com um traço em um vídeo e acreditar que aquilo é prova suficiente, mesmo sem embasamento clínico.”

Ele alertou que muitos pacientes chegam ao consultório com autodiagnósticos baseados em redes sociais, o que pode atrasar tratamentos adequados ou levar a equívocos.

Riscos da simplificação de condições complexas

O estudo destacou que transtornos como TDAH e autismo são especialmente vulneráveis à super simplificação. Vídeos curtos tendem a reduzir condições multifacetadas a traços superficiais, facilitando a disseminação de mitos.

O que especialistas recomendam?

  • Buscar informações em fontes confiáveis, como profissionais de saúde ou instituições reconhecidas;
  • Evitar autodiagnósticos com base em conteúdos de redes sociais;
  • Priorizar conteúdos produzidos por especialistas ou com revisão científica;
  • Denunciar conteúdos enganosos nas plataformas.

Os pesquisadores enfatizam a necessidade de fontes acessíveis e confiáveis para combater a disseminação de desinformação sobre saúde mental.