O nome Jimmy Kimmel volta a ser o centro de uma polêmica que agora coloca o novo CEO da Disney, Josh D’Amaro, diante de seu primeiro grande teste político. Menos de oito meses após a ABC suspender temporariamente o apresentador do programa Jimmy Kimmel Live!, Kimmel voltou a ser alvo de críticas após Melania Trump e Donald Trump exigirem que a rede tome uma atitude contra o comediante.

A situação se agravou após uma piada mal-timedada feita por Kimmel dias antes do White House Correspondents’ Dinner, evento que foi interrompido por um ataque a tiros horas depois. A piada, que mencionou Melania Trump, gerou indignação e colocou a ABC e a Disney em uma posição delicada.

O desafio de D’Amaro: equilibrar liberdade de expressão e pressão política

Josh D’Amaro assumiu o comando da Disney há pouco mais de um mês, sucedendo Bob Iger, em um momento de grandes mudanças na empresa. Recentemente, ele supervisionou uma onda de demissões em setores como marketing e relações públicas, enquanto tenta redefinir o futuro da companhia em meio a consolidações, instabilidade política e pressões externas.

Cada CEO da Disney enfrenta um teste político inevitável. Bob Chapek, por exemplo, foi criticado por sua postura em relação ao projeto de lei "Don’t Say Gay" na Flórida. Já Iger lidou com a polêmica envolvendo Kimmel há sete meses, resultando em uma suspensão e uma batalha entre o talento, a rede e a opinião pública.

A decisão de D’Amaro sobre o futuro de Kimmel pode definir o tom de sua gestão. Como afirmou Brian Stelter, correspondente de mídia da CNN, em entrevista à emissora:

"É um grande teste de Primeira Emenda. Tudo depende de como [D’Amaro] quer agir."

Jordan Matthews, sócio da Holtz Matthews LLP, reforçou a complexidade da situação:

"Se a Disney decidir punir Kimmel, será por uma questão de negócios, mas isso só enfraqueceria a empresa e abriria uma porta perigosa. Eles não vão demiti-lo. Se o suspenderem, apenas aumentarão as críticas."

A piada que reacendeu a polêmica

A origem da crise remonta a quinta-feira passada, quando Kimmel publicou seu próprio "jantar alternativo" da Casa Branca, uma sátira ao evento real. Em um monólogo de 14 minutos, o comediante fez duras críticas a Donald Trump, chamando-o de "rainha do drama" com "mãos nojentas".

No entanto, a piada que desencadeou a reação foi dirigida a Melania Trump. Kimmel afirmou:

"Olhe para Melania, tão bonita. Senhora Trump, você tem um brilho como de uma viúva grávida."

Dois dias depois, durante o White House Correspondents’ Dinner real, um homem armado tentou invadir o evento, que contou com a presença do presidente, Melania e do vice-presidente JD Vance. Embora ninguém tenha sido gravemente ferido, exceto um agente do Serviço Secreto, a conexão com a piada de Kimmel foi suficiente para que Melania Trump publicasse um texto agressivo na plataforma X (antigo Twitter):

"O discurso cheio de ódio e violência de Kimmel tem como objetivo dividir nosso país. Seu monólogo sobre minha família não é comédia — suas palavras são corrosivas e aprofundam a doença política que assola a América."

O que esperar agora?

A ABC e a Disney precisam decidir como lidar com a pressão sem ceder a censuras ou parecerem fracos. Especialistas acreditam que qualquer medida contra Kimmel — seja demissão ou suspensão — poderia piorar a situação, alimentando ainda mais a polarização política.

Enquanto isso, o futuro de Kimmel na emissora permanece incerto, e a decisão de D’Amaro será observada de perto por acionistas, funcionários e pelo público. Em um momento de transformação para a Disney, este caso pode ser o primeiro grande teste de liderança do novo CEO.

Fonte: The Wrap