Por que pais são colaboradores de alto desempenho?
Minha filosofia de contratação é direta: busco pessoas que elevam o padrão da equipe. Na prática, muitos desses profissionais são pais e mães. Isso não é coincidência, mas exige uma escolha estratégica sobre o que sua empresa realmente valoriza.
A maioria das empresas de alto crescimento, por padrão, desconsidera pais e mães antes mesmo de avaliar suas capacidades. No entanto, o cenário mudou com a IA: o desempenho excepcional não está mais ligado a quem trabalha mais horas, mas a quem identifica problemas prioritários, acelera tarefas com ferramentas de IA e entrega resultados com julgamento e eficiência.
Habilidades que pais trazem para o ambiente corporativo
- Priorização extrema: Pais são obrigados a focar no que realmente importa, eliminando distrações e concentrando-se em resultados tangíveis.
- Autonomia e propriedade: Eles assumem processos do início ao fim, muitas vezes reiniciando projetos do zero quando necessário.
- Foco e urgência: Com prioridades claras (como segurança financeira e futuro dos filhos), eles trabalham com maior determinação.
- Visão de longo prazo: Muitos pais pensam em estabilidade financeira, carreira resiliente e tendências futuras, o que se traduz em comprometimento e execução consistente.
Três lições para empresas que querem contratar pais
Em minha equipe, mais de 25% são pais e mães. Essa experiência me ensinou três pilares essenciais para apoiar esses profissionais:
1. Benefícios que apoiam a vida real
Benefícios não são apenas um custo, mas um reflexo do compromisso da empresa com seus colaboradores. Além de saúde e licença parental, os benefícios mais valiosos são aqueles que eliminam fricções na vida pessoal:
- Cobertura para tratamentos de fertilidade;
- Planejamento sucessório e apoio em decisões financeiras complexas;
- Auxílio-creche ou vale-babá (um investimento que pode custar de R$ 50 mil a R$ 150 mil por ano por colaborador, mas que reduz turnover e aumenta produtividade).
Esses benefícios mostram que a empresa entende as necessidades além do expediente de trabalho.
2. Flexibilidade não é negociável — é estratégia
Flexibilidade só funciona se for explícita e normalizada. Em nossa empresa, é comum colaboradores saírem mais cedo para buscar os filhos na escola e retornarem à noite. A transparência é fundamental: bloquear horários no calendário para compromissos pessoais não é um tabu, mas uma prática comum.
"Flexibilidade não significa menos trabalho, mas trabalho inteligente. O foco deve estar nos resultados, não nas horas trabalhadas."
Exemplo prático: interrompo meu trabalho das 17h30 às 20h30 para jantar e colocar as crianças na cama, retornando depois para finalizar tarefas. Também trabalho aos domingos quando necessário. Minhas sessões de treino, por exemplo, ficam visíveis no calendário para que a equipe saiba quando estou indisponível.
3. Cultura de confiança e responsabilidade
Contratar pais exige uma mudança cultural: confiar na entrega, não no tempo de presença. Isso significa:
- Definir metas claras e mensuráveis;
- Evitar microgerenciamento;
- Incentivar a autonomia, mesmo em ambientes remotos ou híbridos.
A cultura de confiança não apenas apoia pais, mas também atrai profissionais que valorizam equilíbrio e eficiência.
O futuro do trabalho é inclusivo — e os pais são parte dele
Empresas que ignoram o potencial dos pais perdem talento valioso. Ao adaptar benefícios, flexibilidade e cultura, elas não só retêm profissionais excepcionais, mas também constroem times mais resilientes e focados em resultados.
O segredo? Não é sobre ser 'paternalista', mas sobre reconhecer que pais trazem habilidades que muitas empresas ainda não exploram.