Manifesto da Palantir defende 'poder duro' tecnológico e critica sociedade ocidental

A Palantir, empresa conhecida por fornecer software de inteligência artificial para defesa e vigilância, como o Exército dos EUA e a ICE, publicou no fim de semana um manifesto de 1.000 palavras no X (antigo Twitter), resumindo os principais pontos de seu livro The Technological Republic, lançado em 2025.

O texto, assinado pelo CEO Alex Karp e pelo coautor Nicholas W. Zamiska, é considerado bizarro e preocupante por muitos observadores. Um dos 22 pontos afirma:

"A capacidade das sociedades livres e democráticas de prevalecer exige algo mais do que apelo moral. Exige poder duro, e o poder duro neste século será construído por software."

Principais pontos do manifesto

  • Dívida moral da Silicon Valley: A elite tecnológica deve participar ativamente da defesa nacional.
  • Crítica ao iPhone: O dispositivo pode limitar a criatividade e a visão de possibilidades da sociedade.
  • Crescimento econômico como justificativa: Uma cultura decadente só será perdoada se garantir segurança e prosperidade pública.
  • Serviço militar obrigatório: A empresa propõe o fim das forças armadas voluntárias e a universalização do serviço militar.
  • Crítica à inclusividade: O manifesto condena a resistência ocidental em definir culturas nacionais em nome da inclusão.
  • Armas de IA inevitáveis: Questiona quem desenvolverá essas tecnologias e para quais fins, já que adversários não hesitarão em usá-las.

Reações e críticas

O manifesto gerou polêmica por seu tom belicoso e autoritário, especialmente em pontos como a defesa do "poder duro" tecnológico e a crítica à cultura inclusiva. Críticos apontam que o texto soa como um roteiro de vilão de quadrinhos, com visões extremas sobre sociedade e tecnologia.

A Palantir, entretanto, reforça que o livro é um chamado apaixonado para o Ocidente acordar para uma nova realidade, onde o software será a base do poder nacional. O manifesto deixa claro o posicionamento da empresa: tecnologia e poder militar devem caminhar juntos para garantir a supremacia ocidental.

Contexto e implicações

A publicação ocorre em um momento de crescente tensão geopolítica, com a empresa reforçando seu papel como fornecedora de soluções de defesa. O livro e o manifesto sugerem uma visão de mundo onde a inovação tecnológica deve ser direcionada para objetivos estratégicos, em vez de apenas lucro ou conveniência.

Para especialistas, o discurso da Palantir reflete uma tendência de militarização da tecnologia e uma crítica à sociedade ocidental por sua suposta fraqueza diante de ameaças externas.

Fonte: Engadget