O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vem travando uma batalha pública contra o Papa Francisco há semanas, após críticas do líder religioso à guerra no Irã. Em sua mais recente ofensiva, Trump acusou o Papa de "pôr em risco muitos católicos" ao defender a paz.
No entanto, uma nova pesquisa do Washington Post revela que a estratégia do ex-presidente está falhando. A maioria dos entrevistados rejeita suas afirmações sobre o Papa, enquanto uma parcela ainda maior apoia a mensagem de paz do pontífice — mesmo diante da campanha de desinformação e propaganda promovida por Trump sobre ambos os temas.
O que a pesquisa do Washington Post revela
Os dados mostram que:
- Grandes maiorias da população americana desaprovam os ataques de Trump ao Papa Francisco;
- Uma maioria significativa apoia a posição do pontífice em defesa da paz, independentemente das alegações do ex-presidente;
- A estratégia de Trump de associar o Papa a uma suposta ameaça aos valores católicos não teve o efeito desejado.
Por que a reação do público é significativa
Segundo analistas, a rejeição à retórica de Trump sinaliza uma mudança no cenário político-religioso nos EUA. Especialistas como Sarah Posner, pesquisadora de religião e colaboradora do Talking Points Memo, destacam três pontos-chave:
- Divisão entre evangélicos brancos e católicos: Enquanto uma parcela dos evangélicos continua apoiando Trump, os católicos mostram crescente resistência à sua postura belicista;
- MAGA e a guerra espiritual: O movimento Make America Great Again (MAGA) incentiva Trump a enxergar a si mesmo como um combatente em uma batalha espiritual contra o Papa, o que pode alienar ainda mais eleitores moderados;
- Risco político: A estratégia de Trump de demonizar figuras religiosas em nome de seus interesses políticos pode se voltar contra ele, especialmente em um cenário eleitoral.
Consequências para a campanha de Trump
A pesquisa sugere que a ofensiva contra o Papa não só não surtiu o efeito esperado, como pode ter o efeito contrário: fortalecer a imagem do pontífice como uma voz de equilíbrio em meio ao discurso polarizado. Além disso, a rejeição à retórica belicista de Trump pode influenciar eleitores indecisos, especialmente aqueles que valorizam a diplomacia e a fé.
Para especialistas, o episódio reforça a ideia de que a estratégia de Trump de confrontar instituições e líderes religiosos pode ser um tiro no pé, especialmente em um país onde a religião ainda desempenha um papel central na política.
"Trump está tentando transformar a fé em um instrumento político, mas a população parece estar rejeitando essa abordagem. A mensagem de paz do Papa ressoa, enquanto os ataques de Trump soam cada vez mais como desespero", afirmou Sarah Posner.