Um soldado dos EUA orienta refugiados afegãos no campo As Sayliyah, no Catar, em 20 de agosto de 2021. Foto: Sgt. Jimmie Baker/US Army via Getty Images
O que está acontecendo?
Segundo reportagem do The New York Times, mais de 1.100 refugiados afegãos atualmente abrigados em uma base militar dos EUA no Catar — e já aprovados para imigrar aos Estados Unidos — podem receber uma proposta controversa: relocar-se para a República Democrática do Congo ou retornar ao Afeganistão.
Ambas as opções são arriscadas. O Congo enfrenta uma grave crise de refugiados e conflitos com grupos armados, enquanto o Afeganistão, sob o governo do Talibã, representa perigo imediato para aqueles que colaboraram com as forças americanas.
Quem são esses refugiados?
Os 1.100 afegãos, em situação de limbo no Catar, incluem:
- Interpretadores que trabalharam com tropas americanas durante duas décadas;
- Membros das forças especiais afegãs;
- Familiares de soldados dos EUA;
- Mais de 400 crianças.
A maioria já passou por triagem e foi aprovada para imigrar aos EUA, conforme relatado pela NBC.
Contexto e consequências
Desde a retirada caótica do Afeganistão em agosto de 2021, os EUA acolheram cerca de 200 mil refugiados afegãos. No entanto, o governo Trump suspendeu o processamento de vistos para afegãos em 2023, após dois membros da Guarda Nacional serem baleados em Washington por um afegão admitido nos EUA no ano anterior.
Caso o plano seja concretizado, não será a primeira vez que o governo Trump envia refugiados ou imigrantes para países sem considerar segurança ou ética. Recentemente, o Congo aceitou receber imigrantes deportados dos EUA, e pelo menos 15 pessoas foram enviadas para lá na semana passada.
Reação e próximos passos
O acordo ainda está em discussão entre a administração Trump e autoridades congolesas, mas já segue o padrão de políticas restritivas do governo. A proposta levanta críticas sobre a falta de alternativas viáveis para pessoas que arriscaram suas vidas em nome dos EUA.