Políticas governamentais sufocam o desenvolvimento tecnológico na África do Sul

A África do Sul enfrenta um paradoxo: enquanto o governo promove políticas de inclusão social, elas acabam atrasando o acesso a tecnologias essenciais para segurança, conectividade e qualidade de vida. Recentemente, o novo embaixador dos EUA no país, Leo Brent Bozell III, enfrentou forte reação ao criticar a Broad-Based Black Economic Empowerment (B-BBEE), exigência obrigatória para empresas obterem contratos governamentais.

A B-BBEE obriga empresas a transferirem parte de sua propriedade e controle acionário para parceiros negros, sob pena de perderem licenças e grandes negócios. Embora criada para reduzir desigualdades, a política tem gerado efeitos contrários.

Impacto econômico e desemprego em alta

Desde a implementação da B-BBEE, em 2004, a economia sul-africana regrediu. O desemprego nacional saltou de 22% para mais de 32%, enquanto entre negros chegou a 37%. Além disso, o país registrou queda nos investimentos estrangeiros e lentidão na expansão de infraestrutura básica.

Conectividade precária: um problema nacional

As mesmas políticas que falharam em criar empregos também prejudicaram o acesso à internet moderna, especialmente em áreas rurais. Durante uma viagem de pesquisa sobre segurança rural, testemunhei a realidade: em uma pousada a 50 km de Bronkhorstspruit, a conexão era instável, piorando ao longo do dia até se tornar inutilizável à noite.

Moradores relataram que cortes frequentes de cabos, infraestrutura defasada e falta de manutenção são comuns. Ninguém espera que o governo resolva o problema em breve. Para muitos, a falta de internet confiável já faz parte do cotidiano, mas a situação é preocupante em um país com altos índices de criminalidade.

Segurança em risco: sem comunicação, sem proteção

A África do Sul tem um dos piores índices de criminalidade do mundo, comparável a países como Venezuela e Haiti. Durante a viagem, moradores mencionaram casos de ataques a fazendas, mas não havia dados oficiais para rastrear esses incidentes. Sem internet confiável, como acionar ajuda em uma emergência?

O problema vai além da conectividade: a falta de rastreamento de dados impede políticas públicas eficazes. Enquanto isso, tecnologias como Starlink e satélites oferecem soluções rápidas, mas enfrentam barreiras regulatórias impostas pelo governo.

O que falta para a África do Sul?

Para reverter esse cenário, especialistas apontam a necessidade de:

  • Revisão das políticas de empoderamento econômico, que desestimulam investimentos e inovação;
  • Investimento em infraestrutura digital, especialmente em regiões rurais;
  • Flexibilização de regulamentações para adoção de tecnologias emergentes, como internet via satélite;
  • Melhoria no rastreamento de dados criminais para orientar ações de segurança pública.

"As políticas atuais não apenas falharam em promover a igualdade, como também sufocaram o progresso tecnológico necessário para o desenvolvimento do país." — Especialista em políticas públicas sul-africano, que preferiu não ser identificado.

Sem mudanças urgentes, a África do Sul continuará perdendo oportunidades de crescimento e segurança para sua população.