O ar ainda carregava fumaça sobre a cidade de Atkinson, na Geórgia, no dia 24 de abril de 2026. O incêndio na Brantley Highway 82 foi apenas um entre dezenas que assolavam o Sudeste dos Estados Unidos, segundo imagens de Sean Rayford/Getty Images.

O cenário é resultado de uma combinação perigosa: seca extrema e ventos fortes estão alimentando chamas que já consumiram milhares de hectares, destruíram casas e obrigaram moradores a deixar suas residências em várias localidades. Os estados da Flórida e da Geórgia foram os mais afetados, com umidade excepcionalmente baixa e rajadas de vento dificultando o trabalho dos bombeiros.

Desde julho de 2025, grande parte do Sudeste enfrenta uma seca prolongada. A vegetação ressecada funciona como combustível instantâneo para os incêndios, que podem ser iniciados por causas mínimas — como um balão atingindo uma rede elétrica, segundo autoridades, responsável por um dos maiores incêndios registrados no estado no final de março.

Normalmente, gestores florestais realizam queimas controladas no início da estação para reduzir o acúmulo de vegetação seca. No entanto, devido à seca, muitas dessas operações foram adiadas com medo de que pequenas chamas se transformassem em incêndios incontroláveis.

O problema é agravado pelos resíduos deixados pelo furacão Helene, que atingiu a região em 2024. As árvores derrubadas e galhos espalhados pelo chão aumentam ainda mais o material inflamável disponível, segundo especialistas.

Um 'barril de pólvora' em seca

Em março, reportagens destacaram a seca severa no Oeste dos EUA, que poderia elevar o risco de incêndios durante o verão. O Sudeste, no entanto, já está sentindo os efeitos. Embora incêndios sejam comuns na primavera na região — que, tecnicamente, registra mais queimadas anualmente do que qualquer outra parte do país — a atual onda de fogo chama atenção por sua intensidade e extensão.

“É incomum ver esse nível de atividade de incêndios no Sudeste em abril. A seca generalizada deixou os combustíveis extremamente secos. A seca é a principal responsável por esse risco”, afirmou o meteorologista da AccuWeather, Brandon Buckingham.

Na Flórida, os incêndios haviam consumido quase 120 mil acres até o final de abril, após a seca se intensificar desde janeiro de 2026, segundo a NASA. Enquanto isso, o governador da Geórgia, Brian Kemp, declarou estado de emergência em abril para grande parte do sul do estado, onde dois grandes incêndios já haviam queimado mais de 50 mil acres. Um deles se tornou o mais destrutivo da história do estado, conforme relatado pela CBS News. Mesmo após dias de combate ao fogo e uma breve chuva no fim de semana, as chamas ainda não haviam sido totalmente controladas.

Em outros estados, como Carolina do Norte e Carolina do Sul, incêndios menores e esparsos continuavam a queimar, enquanto proibições estaduais de queimadas estavam em vigor.

Mudanças climáticas agravam o cenário

Especialistas alertam que o aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos, como secas e furacões, está criando um ciclo perigoso. A vegetação danificada por tempestades anteriores, somada à falta de chuva, transforma a região em um ambiente propício para incêndios de grandes proporções.

“O que estamos vendo é um reflexo das mudanças climáticas. A seca prolongada e o acúmulo de material inflamável estão tornando os incêndios mais difíceis de serem controlados”, explicou um pesquisador da Universidade da Geórgia, que pediu anonimato.

Com a previsão de que a seca deve persistir, as autoridades pedem à população que redobre os cuidados para evitar novos focos, como não jogar bitucas de cigarro em áreas secas e denunciar atividades suspeitas.

Fonte: Vox