O que são alimentos ultraprocessados?

Alimentos ultraprocessados passam por transformações profundas em indústrias, perdendo quase toda a semelhança com seus ingredientes originais. Em vez de farinha, ovos ou leite in natura, esses produtos contêm uma lista extensa de aditivos, conservantes, aromas artificiais e substâncias químicas.

São exemplos comuns: batatas fritas crocantes, milkshakes de morango, refrigerantes, salgadinhos, pães de forma industrializados e refeições congeladas prontas para consumo.

Por que eles viciam tanto?

A psicóloga Ashley Gearhardt, professora da Universidade de Michigan, estuda como esses alimentos podem ativar mecanismos de dependência semelhantes aos de drogas. Segundo ela, a combinação de sabor hiperpalatável, textura irresistível e alto teor de açúcar, gordura e sal torna esses produtos extremamente atraentes ao cérebro.

Em entrevista ao podcast Michigan Minds, Gearhardt explicou:

"Os alimentos ultraprocessados são projetados para serem irresistíveis. Eles exploram nossas vulnerabilidades biológicas, criando um ciclo de consumo excessivo que pode levar à obesidade e outras doenças crônicas."

Impacto global e consequências

O consumo desses produtos cresce rapidamente em todo o mundo, especialmente em países em desenvolvimento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento no acesso a ultraprocessados está diretamente ligado ao aumento de doenças como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

Dados da pesquisa mostram que:

  • A substituição de refeições caseiras por ultraprocessados aumentou em mais de 50% nas últimas duas décadas;
  • Crianças e adolescentes são os grupos mais afetados, com consumo médio de até 60% de suas calorias diárias provenientes desses alimentos;
  • Países como Brasil e México já registram queda na expectativa de vida associada ao alto consumo de ultraprocessados.

É possível reduzir o consumo?

Gearhardt sugere que a conscientização é o primeiro passo. Ela recomenda:

  • Ler rótulos atentamente, evitando produtos com mais de cinco ingredientes ou nomes desconhecidos;
  • Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, legumes, grãos e carnes frescas;
  • Planejar refeições caseiras para reduzir a dependência de produtos industrializados;
  • Buscar apoio nutricional para quem já apresenta sinais de dependência alimentar.

Para a especialista, políticas públicas que regulamentem a publicidade e a composição desses alimentos também são essenciais para combater a epidemia global de consumo excessivo.