Jason Agan era uma figura marcante na Angelo Rodriguez High School, em Fairfield, na região da Baía de São Francisco. Desde a abertura da escola, em 2001, o professor de matemática se tornou presença constante no campus. Carismático e extrovertido, ele coordenava o grêmio estudantil, organizava festas como o baile de formatura e até mesmo se autodenominava "o homem por trás da cortina".

Alunos avançados de cálculo o viam como um mentor, um segundo pai que inspirava paixão pela matemática e ajudava na conquista de cartas de recomendação. No entanto, por anos, estudantes também compartilhavam relatos de comportamento inadequado. Segundo entrevistas com 14 ex-alunos, muitos se sentiam desconfortáveis com toques não solicitados, como abraços e massagens nos ombros, além de comentários sobre o uniforme escolar, especialmente quando meninas usavam shorts considerados curtos demais.

Em 2018, impulsionado pelo movimento #MeToo, um grupo de alunos e um pai apresentaram 11 denúncias por escrito contra Agan à direção da escola. As acusações levaram a duas advertências formais para que ele interrompesse o comportamento. Em janeiro de 2019, a rede Fairfield-Suisun Unified School District iniciou o processo de demissão, suspendendo-o sem remuneração. Agan contestou a decisão, mas, em dezembro do mesmo ano, um painel independente convocado pelo estado o declarou "inapto para lecionar".

A decisão encerrou sua carreira na escola onde atuava há quase duas décadas. No entanto, o veredicto limitava-se à demissão em Fairfield. A responsabilidade de aplicar sanções adicionais, incluindo a manutenção ou revogação de sua licença para lecionar em todo o estado, cabia à agência de credenciamento de professores da Califórnia.

Nos três anos seguintes, Agan foi contratado por duas outras escolas públicas. Durante esse período, o estado aplicou apenas uma suspensão de uma semana em sua licença, referente ao caso da Angelo Rodriguez High. Em 2022, uma nova acusação de toque inapropriado surgiu: um aluno do oitavo ano de uma de suas novas escolas relatou o incidente, segundo registros escolares. O mais grave, entretanto, foi a omissão: a agência de credenciamento não informou às escolas ou aos pais dos alunos sobre o histórico completo de Agan, deixando novos estudantes expostos a riscos.

Em 2017-18, ano em que foi demitido, Agan declarou em seu perfil no anuário escolar que seu objetivo era "tornar a RHS um lugar onde todos os alunos possam se sentir confortáveis e seguros". A realidade, no entanto, mostrou-se bem diferente.

Até o momento, Agan, hoje com 47 anos, não respondeu a pedidos de entrevista feitos por telefone, e-mail ou correspondência registrada. Moradores de seu endereço se recusaram a atender quando um repórter se identificou na portaria de seu prédio.