Queda acentuada nas publicações científicas da EPA

A quantidade de estudos científicos revisados por pares produzidos por cientistas da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) registrou uma queda significativa desde o início do segundo mandato de Donald Trump. Segundo análise da Public Employees for Environmental Responsibility (PEER), organização sem fins lucrativos que defende servidores públicos em áreas ambientais, apenas 61 publicações foram registradas até agora em 2026. A projeção indica um total de 183 artigos ao final do ano, o que representa uma redução de 33% em relação a 2025 e quase 46% em comparação a 2024.

Impacto da redução nas pesquisas da EPA

Kyra Bennett, diretora de política científica da PEER e ex-advogada da EPA, destacou que os números refletem a diminuição da contribuição científica da agência. "Esses números representam uma redução no trabalho científico dos poucos pesquisadores que ainda restam na EPA", afirmou em comunicado. "O resultado líquido é que a contribuição científica da EPA para a compreensão dos fatores que afetam a saúde humana e o meio ambiente será significativamente menor."

Se a tendência atual se mantiver, o número de publicações em 2026 será pouco mais da metade do registrado em 2025. Vale ressaltar que estudos revisados por pares podem levar anos para serem publicados, o que significa que parte do trabalho analisado pode ter sido iniciado em governos anteriores.

Demissões e mudanças estruturais na EPA

Desde que Trump assumiu o cargo, centenas de cientistas foram demitidos ou pediram demissão da EPA. Além disso, pesquisadores de pelo menos um escritório de pesquisa da agência foram orientados a interromper a publicação de estudos, o que representa "milhões de dólares em pesquisas que podem ter sido paralisadas", segundo relato anônimo de um funcionário ao The Washington Post.

Em fevereiro, a EPA anunciou a eliminação da Office of Research and Development (ORD), setor responsável por conduzir pesquisas ambientais. Em seu lugar, foi criada a Office of Applied Science and Environmental Solutions, mas sem autonomia como divisão independente. Seis cientistas que assinaram uma carta aberta criticando as mudanças, incluindo a extinção da ORD, foram demitidos e entraram com ações alegando retaliação ilegal.

Contexto e consequências

A queda nas publicações pode indicar um afastamento da EPA de pesquisas básicas de longo prazo, segundo a PEER. A redução na produção científica da agência levanta preocupações sobre o impacto na formulação de políticas ambientais baseadas em evidências.

Para acessar a análise completa da PEER, clique aqui.

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"O resultado líquido é que a contribuição científica da EPA para a compreensão dos fatores que afetam a saúde humana e o meio ambiente será significativamente menor." — Kyra Bennett, diretora de política científica da PEER