A ESPN não comentou se irá revisar o trabalho da ex-repórter Dianna Russini, após a publicação de fotos dela com o treinador do Tennessee Titans, Mike Vrabel, em março de 2020. No entanto, a repercussão sobre a imparcialidade de suas reportagens — especialmente em relação ao time — continua crescendo.

Um dos casos mais questionados é a negociação que levou Julio Jones dos Falcons para os Titans em 2021. Analistas, como Tony Farmer, que tem acompanhado o assunto no Twitter, destacam que a cobertura de Russini pode ter favorecido os interesses do Tennessee na transação.

Farmer também chamou atenção para outro relato de Russini, feito apenas quatro dias após as fotos com Vrabel: segundo a repórter, os Titans não estavam interessados em contratar Tom Brady na época, focando em renovar o contrato de Ryan Tannehill, eleito Comeback Player of the Year da NFL em 2019.

Embora essa reportagem não tenha o mesmo potencial de benefício para os Titans que a negociação de Jones, ela reforça suspeitas sobre possíveis conflitos de interesse. Questiona-se se o time estaria apenas criando uma imagem positiva ao sugerir que Brady havia recusado a proposta antes mesmo de os Titans anunciarem que não estavam interessados nele.

Na época, a janela oficial de negociações com agentes livres ainda não havia aberto, mas o tampering (abordagem ilegal a jogadores) já era comum. Até 15 de março de 2020, era plausível que Brady já tivesse descartado o Tennessee como opção. Agora, esse novo detalhe se soma a uma série de indícios que se estendem por seis anos.

O caso reforça uma crítica frequente ao jornalismo esportivo da NFL: não se trata apenas de reportagem investigativa, mas de acesso privilegiado a fontes que podem fornecer informações estratégicas — às vezes com benefícios mútuos.

Essa revelação também ajuda a explicar o silêncio inicial da ESPN sobre o assunto. A emissora só abordou o tema quando não teve escolha. Embora alguns especulem que a recusa se deve à recente participação de 10% da NFL na empresa, outra possibilidade é que a ESPN evite confrontar o que sabia e quando sabia.