Governadores republicanos aceleram redistritamento após decisão judicial

Republicanos na Carolina do Sul e na Geórgia estão avançando com planos para redesenhar seus distritos eleitorais ainda este ano. A movimentação ocorre após a Suprema Corte dos EUA enfraquecer a Lei de Direitos Eleitorais no caso Louisiana v. Callais, no mês passado.

Carolina do Sul: McMaster tenta contornar rejeição legislativa

O governador da Carolina do Sul, Henry McMaster, planeja convocar uma sessão extraordinária da Assembleia Legislativa. Segundo a emissora local WIS-10, uma declaração deve ser anunciada até quinta-feira, mesmo dia em que termina a sessão ordinária do Legislativo.

Na terça-feira, o Senado estadual rejeitou uma resolução que permitiria a convocação da sessão especial. Com isso, McMaster só poderá agir por meio de uma ordem executiva. Em publicação na plataforma X (antigo Twitter), o governador afirmou:

«A Assembleia Geral ainda tem dois dias completos para concluir seus trabalhos importantes, inclusive considerando — como solicitado pela população — a questão crucial do redistritamento. Insto a Assembleia a agir de acordo com as constituições dos EUA e da Carolina do Sul, e nos melhores interesses do povo.»

Atualmente, a Carolina do Sul tem seis representantes republicanos e apenas um democrata na Câmara dos Deputados: Jim Clyburn.

Geórgia: Kemp agenda sessão para junho e mira eleições de 2026

Na Geórgia, o governador Brian Kemp convocou uma sessão extraordinária para 17 de junho, com o objetivo de redesenhar o mapa congressional do estado. Embora Kemp tenha descartado mudanças a tempo das eleições de meio de mandato em novembro, a intenção é concluir o processo antes das eleições para governador em 2026.

Republicanos locais esperam ampliar sua vantagem atual de 9 a 5 na Câmara dos Deputados estadual. O estado segue a tendência de outros sulistas, como Louisiana, Tennessee, Alabama, Mississippi e Flórida, onde alterações recentes no redistritamento têm reduzido o poder político de populações negras.

Impacto político e críticas à manobra

Analistas políticos e organizações de direitos civis alertam que as mudanças podem marginalizar ainda mais a representação de minorias. A decisão da Suprema Corte em Louisiana v. Callais removeu barreiras que impediam redesenhos discriminatórios, facilitando estratégias partidárias.

Críticos argumentam que o redistritamento, quando feito com viés político, distorce a representação democrática e enfraquece a voz de comunidades historicamente sub-representadas.