Divisão entre republicanos sobre perdão a cúmplice de Epstein

O debate sobre um possível perdão a Ghislaine Maxwell, ex-sócia de Jeffrey Epstein, ganha força na Câmara dos EUA. Republicanos da Comissão de Supervisão e Reforma da Câmara estão divididos sobre a proposta, que envolveria uma troca por depoimentos contra Epstein.

O presidente da comissão, James Comer, afirmou ao Politico que muitos membros do partido apoiam a ideia, mas ele próprio se opõe. "Minha comissão está dividida, e eu pessoalmente acho que a proposta tem uma imagem ruim", declarou Comer. "Honestamente, fora Epstein, Maxwell é a pior pessoa nessa investigação", completou.

Posição dos democratas: 'Retrocesso e desrespeito'

O membro de maior hierarquia do partido na comissão, Robert Garcia, classificou a proposta como um "grande retrocesso" e um desrespeito às vítimas. "Ela é uma agressora conhecida e uma mentirosa", afirmou Garcia. "Se o Departamento de Justiça ou republicanos da Comissão estiverem negociando algum tipo de perdão, isso é um tapa na cara das vítimas, do público americano e parte de uma grande encobrimento", declarou.

Maxwell cumpre pena, mas recebe privilégios incomuns

Condenada em 2022 a 20 anos de prisão por seu papel nos crimes de Epstein, Maxwell obteve recentemente benefícios atípicos no sistema carcerário. Após uma entrevista com o Departamento de Justiça (DOJ) em julho, ela foi transferida de uma prisão de segurança máxima na Flórida para um campo de baixa segurança no Texas.

Entre os privilégios concedidos estão:

  • Refeições servidas em sua cela;
  • Acesso ilimitado a papel higiênico;
  • Tempo para brincar com um filhote de cachorro treinado como cão-guia;
  • Sessões privadas de exercícios;
  • Acesso irrestrito a ligações telefônicas;
  • Visitas privadas em escritório de capelania fora do horário regular;
  • Separação de outras detentas, com mudanças de mesas e celas a seu pedido.

Testemunho de ex-companheira de cela reforça privilégios

Jen Shah, ex-colega de prisão de Maxwell e participante do reality show Real Housewives of Salt Lake City, revelou à revista People que Maxwell recebia tratamento especial. Shah contou que, em algumas ocasiões, precisava limpar equipamentos de ginástica ou reorganizá-los para a detenta.

"Maxwell não demonstrava nenhum remorso. Ela falava abertamente sobre as vítimas com total desdém. Não havia arrependimento algum."

Maxwell foi condenada por recrutar meninas menores de idade para Epstein, que cometeu suicídio na prisão em 2019 enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais. Seu advogado tem pressionado a Casa Branca por um perdão, mas até agora não houve sinalização de que será concedido.