Secretária pró-sindicatos deixa o governo Trump
Lori Chavez-DeRemer, secretária do Trabalho dos Estados Unidos e nomeada pelo presidente Donald Trump, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (20). A decisão ocorreu após uma série de alegações de má conduta pessoal, que incluíam consumo de álcool no trabalho, suposto caso extraconjugal com membro de sua equipe de segurança e uso indevido de viagens oficiais para fins particulares.
Steven Cheung, diretor de Comunicações da Casa Branca, anunciou a saída em uma publicação na plataforma X, elogiando Chavez-DeRemer por seu trabalho. Segundo ele, Keith Sonderling, atual secretário adjunto do Trabalho, assumirá o cargo de forma interina.
"A secretária Chavez-DeRemer realizou um trabalho fenomenal protegendo os trabalhadores americanos, implementando práticas laborais justas e ajudando os cidadãos a desenvolver novas habilidades para melhorar suas vidas."
Trajetória política e posições controversas
Antes de ingressar no governo Trump, Chavez-DeRemer foi deputada federal pelo Oregon, destacando-se por ser uma das poucas republicanas a apoiar legislações federais pró-sindicatos, como a PRO Act (Protecting the Right to Organize). A proposta, que não avançou no Congresso, buscava dificultar a classificação de trabalhadores como autônomos, eliminar leis estaduais de "direito ao trabalho" e ampliar o poder do Conselho Nacional de Relações Trabalhistas.
Ela também co-patrocinou projetos de lei que dariam aos funcionários públicos o direito de se sindicalizar e anulariam leis estaduais que proibiam negociações coletivas para servidores públicos. Chavez-DeRemer perdeu a reeleição em 2024, mas sua nomeação pelo governo Trump já gerava controvérsia devido às suas posições consideradas incomuns para um republicano.
Alegações de má conduta e fim do mandato
As investigações sobre seu comportamento pessoal incluíram relatos de que seu marido, também acusado de má conduta sexual por funcionárias do Departamento do Trabalho, havia sido banido do prédio da sede do órgão em Washington. Além disso, mensagens de texto enviadas por seu marido e pai a funcionárias mulheres foram consideradas o "estopim final" para sua renúncia, segundo fontes próximas à administração.
Em sua própria declaração no X, Chavez-DeRemer afirmou estar orgulhosa por ter avançado na missão de Trump de aproximar empresas e trabalhadores, sempre priorizando o trabalhador americano. Ela agradeceu por ter servido em uma administração histórica.
"Tenho orgulho de termos feito progressos significativos para avançar na missão do presidente Trump de aproximar empresas e trabalhadores, sempre colocando o trabalhador americano em primeiro lugar."
Contexto e consequências
Chavez-DeRemer é a terceira secretária do gabinete de Trump a deixar o governo em seu segundo mandato, após as saídas de Kristi Noem (Segurança Interna) e Pam Bondi (Justiça). Sua renúncia reforça as tensões internas no governo, especialmente em relação a políticas trabalhistas e conduta ética.
- Posição política: Republicana com viés pró-sindicatos, incomum no partido.
- Alegações: Consumo de álcool no trabalho, caso extraconjugal, uso indevido de viagens oficiais.
- Legado: Apoio à PRO Act e legislações que ampliariam direitos trabalhistas.
- Sucessor: Keith Sonderling assume como secretário interino do Trabalho.